Indígenas protestam contra a municipalização da Saúde
O coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Eloy Jacintho, disse que essa mudança não respeita as práticas milenares de medicina do seu povo.
A proposta do Governo Federal de municipalização da saúde indígena foi o tema abordado no grande expediente da sessão plenária desta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Por proposição do deputado Goura (PDT), o coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Eloy Jacintho, integrante da aldeia Tupã Nhe'é Kretã, se posicionou contrário à extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), unidade vinculada ao Ministério da Saúde.
De acordo com Jacintho, lideranças indígenas do Brasil todo estão mobilizadas em prol da manutenção dos serviços prestados pela SESAI, que, segundo o coordenador, respeitam os costumes e as práticas da medicina dos índios brasileiros. “A Sesai hoje garante a qualidade do atendimento dos nossos povos. O Ministério da Saúde está fazendo uma reformulação sem nos consultar e isso, para nós indígenas, vai se traduzir em morte, desrespeito e agressão às vidas dos nossos povos”, ressaltou.
Em seu discurso, o coordenador da Apib reforçou sobre a importância da Assembleia Legislativa e dos outros poderes do Paraná na articulação política contra a extinção da Sesai. “Pedimos a todos os deputados que nos apoiem nesta luta e neste movimento. É através da Assembleia e de todas as outras instituições é que nós vamos conseguir fazer com que o Sesai continue trabalhando a favor dos índios”, concluiu Jacintho.
Retrocesso –Para o deputado Goura, se a extinção da Sesai de fato ocorrer, ela causará um dano incalculável à população indígena de todo o país. “Esse sistema existe justamente por causa das especificidades relativas à vida, à cultura, ao idioma e às patologias particulares que atingem os índios. Portanto, se trata de um retrocesso em relação aos direitos indígenas, que estão garantidos na nossa constituição”, afirmou o parlamentar. Goura ainda destacou que tanto o Ministério Público Federal quanto a Associação dos Municípios do Paraná (AMP) se posicionaram contra a proposta do Ministério da Saúde. “O temor é que a medida resulte no desmantelamento do sistema e na pulverização do atendimento de saúde aos índios brasileiros”, complementou.
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