A campanha Janeiro Branco, instituída no Paraná pela Lei estadual nº 19.430/2018, tem como objetivo mobilizar a sociedade para a importância da saúde mental e emocional, estimulando a prevenção, a informação e o cuidado com o bem-estar psicológico.
O mês de janeiro foi escolhido simbolicamente para refletir sobre a mente e as emoções, aproveitando o início do ano para promover diálogos, ações educativas e incentivar que as pessoas busquem ajuda quando necessário. A cor branca representa “folhas em branco”, simbolizando um novo começo e a possibilidade de reescrever histórias pessoais.
Segundo os idealizadores e apoiadores da campanha, transtornos mentais como ansiedade, depressão, estresse e pânico são comuns e podem ser desencadeados por fatores como estresse contínuo, traumas, abuso de substâncias e condições de vida desafiadoras. Por isso, é fundamental quebrar o estigma que ainda cerca esses temas e incentivar a busca por apoio especializado.
Autor da lei que instituiu o Janeiro Branco no Paraná, o deputado Requião Filho (PDT) destaca que cuidar da saúde mental é cuidar do bem-estar geral e que reconhecer dificuldades emocionais não é sinal de fraqueza, mas um passo corajoso rumo à melhora da qualidade de vida.
“O Janeiro Branco não pode ser apenas uma campanha de calendário. Saúde mental precisa de política pública, investimento contínuo e responsabilidade do Estado. No Paraná, fomos pioneiros ao transformar esse debate em lei porque entendemos que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo, especialmente em um sistema público de saúde que precisa estar preparado para acolher, prevenir e tratar de forma permanente, com estrutura, profissionais e acesso garantido à população”, destacou o parlamentar.
Campanhas
Durante o mês, órgãos públicos, iniciativa privada e entidades da sociedade promovem atividades de conscientização e eventos que reforçam que a saúde mental faz parte da saúde integral de cada pessoa.
A psicóloga Clarissa Ribeiro avalia que a criação de campanhas de conscientização tem papel decisivo na transformação da forma como a sociedade enxerga a saúde mental. Segundo ela, ainda há muita dificuldade em falar sobre o tema, cercado por preconceitos e desinformação, já que os transtornos mentais não apresentam sinais visíveis ou exames objetivos que comprovem sua existência de maneira imediata. “Muitas pessoas ainda acham que é preguiça ou que isso não existe. Por isso, disseminar informação, desmistificar o assunto e ampliar a visibilidade dessa temática é fundamental”, afirma.
Para Clarissa, as políticas públicas são essenciais nesse processo, ao promoverem um olhar mais atento da população, tanto na prevenção quanto na construção de uma cultura de cuidado psicológico. Ela destaca ainda que as campanhas ajudam a reduzir o estigma que associa o sofrimento psíquico à fraqueza ou à “loucura”, o que afasta muitas pessoas da busca por ajuda profissional.
“É preciso deixar claro que transtornos mentais são dificuldades reais, que têm tratamento e que ninguém precisa viver em sofrimento”, reforça. Nesse contexto, Clarissa ressalta a importância de iniciativas institucionais, como a criação de um mês dedicado à conscientização, para ampliar o debate público, fortalecer políticas de acesso à saúde mental e incentivar a população a procurar apoio. “Quando o poder público se envolve, a sociedade passa a falar mais sobre o tema, o preconceito diminui e as pessoas se sentem mais encorajadas a buscar ajuda”.