Mudança no cronograma de entrega da alimentação escolar vai prejudicar a agricultura familiar paranaense
Deputada Luciana Rafagnin (PT) apela para sensibilidade do governo e alerta que a medida afetará a garantia da manutenção do alimento saudável para a comunidade escolar, especialmente às famílias com maior insegurança alimentar nessa pandemia.
A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) apresentou um requerimento na sessão desta segunda-feira (05) da Assembleia Legislativa do Paraná, dirigido ao governador do estado, Carlos Massa Ratinho Júnior e ao secretário da Educação e do Esporte, Renato Feder, solicitando que o governo reveja a mudança proposta por ele para o cronograma de entrega dos produtos adquiridos da agricultura familiar para o fornecimento da alimentação escolar. Pela proposta de cronograma do governo, acontecerá uma antecipação nas entregas de novembro para o mês de outubro. “Isso vai afetar diretamente a programação dos agricultores e das suas cooperativas, especialmente aqueles que produzem e comercializam hortaliças, bem como outros alimentos frescos e que não têm a mesma durabilidade de produtos industrializados ou com maior tempo de vida útil”, disse Luciana.
Ela lembra ainda que essa programação envolve todo um planejamento e não é numa simples canetada que se mexe e bagunça esse calendário. Luciana citou o exemplo de produtores de brócolis e de couve-flor, que têm uma área de terra e uma organização que permite manter a entrega conforme combinado e não suportam uma mudança brusca nessas regras. “O que vai acontecer com a produção plantada e programada para colher em novembro? Além disso, não vai ter produção para adiantar agora em outubro, conforme a mudança exigida pelo governo. Vai prejudicar muito a agricultura familiar”, disse ela.
Luciana é líder do Bloco Parlamentar de Apoio à Agricultura Familiar na Assembleia. Ela manifestou em seu pronunciamento ainda a preocupação com o impacto dessa medida na regularidade do fornecimento da alimentação escolar. “Como as cooperativas e os produtores vão encontrar dificuldades para cumprir essa mudança brusca no calendário, proposta pela Fundepar, e de fazer as entregas combinadas, o seguimento poderá ser acusado ou responsabilizado por não atender às exigências que o governo agora impõe porque quer e na hora que quer. É muito preocupante isso e sinaliza para um problema muito maior no futuro. Não podemos permitir e temos de ficar muito vigilantes”, afirmou Luciana.
Num momento em que o fornecimento regular da alimentação escolar ajuda as famílias em maior grau de insegurança alimentar e nutricional a atravessarem as crises no bojo da pandemia do novo coronavírus, essa mudança abrupta no calendário de entrega dos alimentos cria um problema mais grave. “Apelo para a sensibilidade do governo em rever essa mudança no cronograma. Vamos fortalecer o compromisso com a agricultura familiar do estado e com as políticas públicas que asseguram esse apoio institucional”, concluiu.
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