Projeto que prevê criação do Fundo de Combate à Pobreza é aprovado em primeiro turno
Em sessão extraordinária, mais tarde, o projeto recebeu 44 emendas, pelo que deverá retornar à Comissão de Constituição e Justiça.
Os deputados aprovaram na sessão plenária desta quarta-feira (23) da Assembleia Legislativa, em primeiro turno, com 28 votos favoráveis e 18 contrários, o projeto de lei nº 662/15, que cria o Fundo Estadual de Combate à Pobreza, estabelecendo novas medidas de ajuste fiscal. A matéria, de autoria do Poder Executivo, foi ainda submetida nesta quarta-feira a debate numa sessão extraordinária, realizada logo após a sessão ordinária, quando recebeu 44 emendas. Assim, o projeto acabou retornando à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve apreciar as alterações propostas ao texto por diversos parlamentares, em reunião ainda não agendada.
De acordo com o Governo, o fundo tem como objetivo promover ações de redução da desigualdade social, investimentos em moradia popular, promoção da igualdade social e proteção de direitos. O fundo, que é um instrumento previsto na Constituição Federal, será constituído com recursos oriundos do acréscimo de dois pontos percentuais nas alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de produtos considerados supérfluos e deverá atingir R$ 400 milhões por ano. A medida incide para produtos como artefatos de joalherias, cervejas, bebidas alcoólicas, fumo, água mineral, perfumes e cosméticos. O projeto tramita em regime de urgência.
Substitutivo – O líder do Governo, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), que apresentou um substitutivo geral alterando significativamente o texto original da proposta do Executivo, garantiu que “o projeto não trata de nenhum aumento e ainda reduz ou elimina impostos para 95% da população, fazendo assim justiça fiscal”. Contestando as críticas da bancada da Oposição, Romanelli assegurou que os municípios não vão perder recursos: “O novo fundo será um poderoso instrumento de promoção social nos municípios. Este recurso será destinado a programas sociais, moradias, combate à pobreza, aumento do desenvolvimento, beneficiando as famílias mais carentes do estado”, frisou.
Já o deputado Tadeu Veneri (PT), líder da bancada de Oposição, voltou a criticar o projeto. Na avaliação de Veneri a medida aumenta impostos e vai reduzir o repasse de recursos aos municípios. Veneri disse que considera ilegal o artigo 58 do projeto, que determina que o pagamento recebido pela contratação de instituição financeira para a operacionalização do pagamento da remuneração dos servidores inativos e pensionistas seja destinado ao Tesouro Estadual. A Oposição defende que o dinheiro proveniente da contratação do banco para executar o pagamento dos servidores seja destinado à Paranaprevidência, e não ao caixa do Estado. Também está propondo, através de uma emenda, que o saldo do fundo, ao final do exercício do governo, não seja incorporado ao caixa do Tesouro do Estado, permanecendo no fundo.
Herança – Atendendo reivindicações dos deputados foi retirada do projeto a parte do texto que estabelecia a progressividade de alíquota do Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD). Esse tema acabou saindo do pacote de medidas encaminhadas à Assembleia pelo Executivo, ainda durante os debates na CCJ, quando o deputado Luiz Claudio Romanelli apresentou o substitutivo geral, e não está em votação nesse momento.
O substitutivo manteve sem alteração a parte do texto que trata da atualização da Lei Orgânica do ITCMD, excluindo todo o trecho que se refere às alíquotas progressivas do imposto (art. 20), que deverá tramitar em separado, em outro projeto, específico.
O substitutivo suprimiu também o artigo 59 do texto original, que dava nova redação ao caput do artigo 16 da Lei nº 17.435/12, referente à contrapartida da contribuição previdenciária dos servidores públicos, e ainda o inciso III do art. 61, que revogava o inciso III do art. 6º da Lei nº 15.608/07, determinando a autorização legislativa para a alienação de bens imóveis, bem como os bens móveis quando envolver alienação de controle societário de empresa de economia mista e empresa pública, como a Copel e a Sanepar. “Retiramos esses dispositivos para deixar bem claro que o Governo não tem a intenção de se desfazer do patrimônio público”, garantiu Romanelli.
O projeto 662/15 está na pauta da próxima sessão plenária que acontece no dia 28 (segunda-feira), em segunda discussão. Mas só será votado em Plenário se já estiver com os pareceres da CCJ quanto às 44 emendas protocoladas nesta quarta-feira (23), que propõem mudanças em diversos dispositivos do texto original e também do substitutivo geral.
*Confira mais notícias sobre a Assembleia Legislativa do Paraná no Facebook.
Notícias Relacionadas
CCJ aprova proposta que prevê multas para uso de cigarros eletrônicos em ambientes coletivos no Paraná
Colegiado também aprovou emendas ao projeto de lei que institui a Fundação de Apoio à Atividade de Segurança Pública do Paraná (Fundaseg).
Leia mais
Assembleia aprova atividades práticas com máquinas e veículos para alunos de cursos técnicos
Texto segue para sanção após votação nas sessões desta segunda-feira (17). Também avançaram projetos sobre segurança pública, turismo e reconhecimento de entidades e personalidades paranaenses.
Leia maisCCJ aprova projeto de lei que regulamenta atividades práticas em cursos técnicos estaduais
Colegiado também aprovou propostas de combate ao racismo em eventos esportivos e de proteção aos animais em situação de rua.
Leia maisSegue para sanção projeto que proíbe distribuição de animais vivos como brindes e prêmios no Paraná
A proposta pretende fortalecer as políticas públicas de proteção animal e foi um dos 13 itens apreciados na sessão plenária desta segunda-feira (10).
Leia mais