Recepcionista de hospital de Curitiba doa parte do fígado para paciente
Relato apresentado pelo deputado Cobra Repórter serve de reflexão para o Dia Nacional de Doação de Órgãos.
“Eu sou doadora de órgãos. Quando fiquei sabendo que ele precisava, que era possível a doação de intervivos e eu era compatível, não pensei duas vezes e faria tudo de novo. Eu me ofereci de coração e fui”, disse Gislaine Lopes. Ela é casada, mãe de 2 filhos e recepcionista de um hospital de Curitiba. “Gislaine salvou a vida do Jhonatam Rafael Silva de Oliveira, um garoto de 6 anos que precisava de um novo fígado para sobreviver”, disse o deputado estadual Cobra Repórter (PSD) que recebeu Gislaine em seu gabinete da Assembleia Legislativa do Paraná no mês de março, antes de começar o isolamento social em razão da pandemia de coronavírus.
Tudo começou quando Jhonatam deu entrada no hospital em que Gislaine trabalha com uma grave insuficiência hepática um ano atrás. Os problemas de saúde do garoto se agravaram e a família foi informada de que ele precisaria de um transplante de fígado. Com a piora rápida do menino, todos da família se desesperaram em busca de um doador. O pai do garoto era quem tinha o mesmo tipo sanguíneo, mas, por conta de alguns problemas de saúde, foi descartado como doador.
Foi, então, que Gislaine se sensibilizou com a situação do menino e resolveu doar parte de seu fígado. Eles fizeram o pedido na justiça, como é de praxe em caso de doador vivo, e conseguiram a autorização para a cirurgia. Em alguns dias, ela foi internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para o transplante. Os médicos removeram 40% do fígado de Gislaine e o transplantaram para o abdômen de Jhonatam.
Gislaine e Jhonatam se recuperaram bem. “A Gislaine é um anjo em nossas vidas. Se não fosse ela, não sei o que seria dele. A Gi agora é um membro da nossa família, costumo dizer é a segunda mãe do Jhonatam”, disse Sidinéia Vitor da Silva, mãe do garoto.
O relato acima foi apresentado pelo deputado Cobra Repórter para lembrar que o mês de setembro é dedicado à doação de órgãos e que no próximo dia 27 é o Dia Nacional de Doação de Órgãos e que atitudes como a de Gislaine devem ser enaltecidas e servir de exemplo para que se aumente o número de doadores.
O Paraná manteve a liderança em doações e transplantes de órgãos no Brasil no primeiro semestre. Os dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que o Estado atingiu a marca de 44,1 doações de órgãos efetivas por milhão de população (pmp), ficando à frente dos demais estados brasileiros e muito acima da média nacional, que fechou em 15,8 pmp.
De janeiro a junho de 2020, o Paraná registrou 558 notificações de potenciais doadores e 252 doações efetivas, que corresponderam a 385 transplantes de órgãos.
Além da liderança em doações, o Estado se mantém no topo da lista em transplantes renais e em segundo lugar em transplantes de fígado, com uma média de 45,7 e 19,2 pmp, respectivamente.
Os dados também mostram que o Estado teve queda das recusas familiares em doar os órgãos, nestes seis meses. Apenas 23% das famílias se recusaram a doação de órgãos, sendo este o índice o mais baixo já registrado na história do SET/PR.
Doação de órgãos - Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos de doador.
1 – O primeiro é o doador vivo. Pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, só com autorização judicial.
2 – O segundo tipo é o doador falecido. São pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).
Entenda mais como funciona acessando o site: http://www.paranatransplantes.pr.gov.br/#o-que-devo-fazer
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