Setor leiteiro discute na Assembleia problemas da brucelose e tuberculose animal
Entre os problemas apontados está a falta de vigilância nas fronteiras e o pequeno percentual de animais examinados. Este ano o Paraná já sacrificou 227 animais portadores de tuberculose, doença que pode ser transmitida aos humanos, assim como a brucelose, por meio de contato com as secreções do animal infectado, do consumo de leite cru ou de derivados do leite. As rezes infectadas são sacrificadas a tiros por agentes da Polícia Militar ou através de abate sanitário, restando aos seus proprietários o prejuízo e, muitas vezes, financiamentos bancários por pagar.
Fundo de indenização – Para fazer frente ao problema e minimizar a situação dramática vivida por muitos criadores que perderam animais e se viram, da noite para o dia, privados de seu ganha-pão, o projeto de lei nº 122/13, da deputada Luciana Rafagnin (PT), tramita na Assembleia Legislativa propondo a criação de um fundo para indenizar esses produtores. A matéria chegou a ser apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa, que a baixou em diligência para a Secretaria de Estado da Agricultura.
O deputado Fernando Scanavacca (PDT), que também é membro da CCJ, ponderou que o projeto é inconstitucional, uma vez que o Legislativo não pode propor medidas que gerem despesas para os cofres públicos. Mas externou sua esperança de que o movimento possa sensibilizar o Governo do Estado, levando-o a assumir a iniciativa da providência reivindicada pelos produtores de leite.
Ele defendeu também que o Banco do Brasil só libere o financiamento para compra de matrizes mediante um prévio e rigoroso exame sanitário, zelando desta maneira pela manutenção da qualidade dos rebanhos. Os participantes do encontro destacaram ainda que o Paraná, com 9.233.887 cabeças de gado e uma produção leiteira anual de 3,6 bilhões de litros, está a caminho de se tornar o segundo maior produtor de leite do país. Só na região Sudoeste são 1.065.300 animais distribuídos por 27 mil propriedades, gerando 81 mil empregos no setor primário e com inegável influência na economia local: “Sem medidas urgentes, corremos o risco de empobrecer o campo”, alertou Luciana Rafagnin.
Outros pontos defendidos durante o encontro foram a elaboração de um programa de sanidade animal eficiente, que subsidie os exames dos rebanhos e busque a erradicação das doenças, e a estruturação da recém-criada Agencia de Defesa Agropecuária do Paraná –ADAPAR, de forma a disponibilizar um maior número de profissionais qualificados para dar assistência aos produtores.
Também participaram do evento os deputados Nelson Luersen (PDT), Pedro Lupion (DEM) e Elton Welter (PT); o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Eliel de Freitas; a representante da Associação dos Secretários de Agricultura e Meio Ambiente do Sudoeste, Daniela Celuppi; o presidente do Conselho de Sanidade Agropecuária de Francisco Beltrão, Nelcir Basso; o presidente da Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste - Acamsop 13 - vereador Ladair Sócrates Casanova; o presidente da ADAPAR, Inácio Kroich; e o representante da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, Francisco Simeoni.
Sessão plenária - No período da tarde, durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa, representantes do Núcleo de Veterinários da Região Sudoeste e dos produtores de leite tiveram oportunidade de expor as dificuldades enfrentadas pelo setor ao conjunto dos deputados, falando diretamente da tribuna do Legislativo, no horário do chamado "Grande Expediente". A manifestação dos técnicos e produtores atendeu a um requerimento formulado pela deputada Luciana Rafagnin.
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