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TV Assembleia: José Carlos Fernandes fala sobre novo livro de crônicas no Arte & Cultura

Jornalista, escritor e professor universitário relembra a trajetória na Gazeta do Povo, explica a seleção dos textos de "Na Brasílio com a Ângelo" e comenta seus projetos futuros.

14h01
por Felipe Bottamedi
5 min de leitura
Dono de uma trajetória de três décadas na Gazeta do Povo, José Carlos Fernandes conta no atração como foi o trabalho de seleção dos textos para a obra. Foto: Divulgação/Albari Rosa

A edição desta sexta-feira (24) do programa Arte & Cultura, da TV Assembleia, traz uma conversa com o jornalista, escritor e professor universitário José Carlos Fernandes. Ele fala sobre o recém-lançado "Na Brasílio com a Ângelo", livro que reúne crônicas publicadas por ele no jornal Gazeta do Povo. O bate-papo com a jornalista Giselle Camargo vai ao ar às 13h, com reprise às 18h. O conteúdo também pode ser conferido no canal do YouTube da emissora.

Dono de uma trajetória de três décadas na Gazeta do Povo, Fernandes conta como foi o trabalho de seleção dos textos para o livro, publicado pela editora Telaranha no último mês de junho. Das cerca de 600 crônicas publicadas entre 2007 e 2024, o escritor selecionou 40 delas, privilegiando textos que têm como personagem principal a própria cidade de Curitiba, além de memórias e outros temas. "Estava procurando um título quando notei que as crônicas ocorriam num quadrilátero em torno desse endereço [no encontro das ruas curitibanas, no bairro Água Verde]: Brasílio [Itiberê] com a Ângelo [Sampaio]", conta o autor.

Além de abordar o que foi contemplado pela obra, Fernandes reflete também sobre as ausências do livro. Ele conta por que optou por não publicar as crônicas que retratavam as personalidades que circulavam por Curitiba naqueles anos, refletindo sobre o impacto que esses textos provocavam dentro de um jornal e o que representaria a republicação num livro anos depois.

"Ia ficar muito eufórico e estranho, esses personagens [no livro]. Todos eles, de alguma maneira, estavam [no jornal] gritando a sua existência, falando mais alto, mostrando num perfil o seu lado melhor", pondera. "Eles funcionam no jornal quando o leitor está lendo que uma escola fechou, aumentou o número da população de rua e, no meio daquelas notícias não muito agradáveis, encontra uma figura que podia ter passado ao lado dele — não podia ser alguém muito exótico — e ele diz assim: 'puxa vida, estou perdendo essa relação com o espaço urbano'", pontua.

Para ele, as crônicas do livro visavam restabelecer um laço. "A gente tinha índices que [mostravam que] os leitores estavam cada vez menos interagindo com o espaço urbano, por causa do medo, das notícias de violência. As crônicas nasceram como uma tentativa de dizer: 'olha, a rua é interessante, não é o lugar do medo, é o lugar da pessoa que você não conhece, onde aconteceu uma história incrível'. Por isso é que tinha muitas crônicas sobre espaços", detalha.

Outra ausência pontuada pelo autor são os textos pessoais. Fernandes conta que as crônicas refletem uma necessidade do próprio jornalista de olhar para o outro, estar atento ao presente e não perder de vista a pauta. "A gente foge muito da primeira pessoa no jornalismo. Eu acho que é uma coisa quase que intransponível, às vezes", pontua.

A conversa também percorre temas como a trajetória de José Carlos Fernandes desde a sua infância, quando o jornal se tornou presença recorrente na sua vida por influência do pai, jornaleiro. O cronista relembra as manhãs de domingo, quando a família se reunia para montar os jornais que seriam vendidos na banca. A característica do pai em tentar convencer as pessoas a comprar os jornais, chamando a atenção para as reportagens e manchetes da edição conforme o tipo de freguês, deixou um legado para José Carlos.

"No trabalho, o melhor dele emergia. Ele gostava do freguês, sabe? Eu demorei uns bons anos pra entender que, embora a gente não chame o leitor de freguês, é no fundo uma relação de cuidado e de atenção com aquilo que o leitor quer saber, o que ele precisa e está buscando, quem é ele", relembra. "Isso pesou um pouco depois para prestar atenção no público, o que é algo muito inerente à nossa profissão".

Entre outras coisas, José Carlos Fernandes também conta seus planos futuros para lançar um segundo livro, desta vez reunindo crônicas relacionadas aos personagens de Curitiba — trabalho para o qual ele planeja, antes, pedir aval das pessoas retratadas. Ele revela suas inspirações em Curitiba, reflete sobre a relação de troca com os alunos para quem leciona na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a importância de sermos contadores da nossa própria história.

Onde assistir

O programa é exibido às sextas-feiras, às 13h, na TV Assembleia, no Canal 10.2. A entrevista com José Carlos Fernandes também pode ser conferida no canal da TV Assembleia do Paraná no YouTube, a partir do mesmo horário.

A cada semana, a atração recebe grupos folclóricos, coreógrafos, maestros, diretores de museus, artistas plásticos, diretores e produtores de teatro, escritores e poetas para um bate-papo descontraído sobre o mundo das artes.

 

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