Secretário da Fazenda comparece à reunião da CCJ para explicar projeto que trata do ajuste fiscal
A reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (7) dedicou quase todo o seu tempo à exposição do secretário de Estado da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, sobre o projeto de lei nº 212/2015, que define o ajuste fiscal do Governo do Estado ao prever, entre outras medidas, a criação do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), o Programa Incentivado de Parcelamento de Débitos (PPD) e a securitização de direitos creditórios. Uma única proposição foi votada e aprovada: a emenda substitutiva geral ao projeto de lei nº 193/2015, do Poder Executivo, dispondo sobre o quadro próprio e cargos comissionados do Departamento de Trânsito do Estado do Paraná –DETRAN/PR.
Depois da exposição, o secretário respondeu às indagações dos membros da comissão e de outros parlamentares presentes ao evento, buscando sanar as dúvidas existentes. Ao final do encontro, o presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), enalteceu a presença do secretário. “Isto mostra para a sociedade paranaense que não estamos fazendo nada às escuras. Estamos efetivamente debatendo os temas importantes e buscando soluções para os problemas que o Estado enfrenta, através do diálogo e do respeito às instituições”.
Aumento da receita – O secretário da Fazenda iniciou sua fala destacando a importância do ajuste fiscal no enfrentamento das dificuldades financeiras que atingem o Paraná. Ele atribuiu a gravidade da situação a medidas equivocadas adotadas no passado e ao quadro econômico nacional, com sérias consequências sobre o desempenho orçamentário dos estados e municípios. Segundo ele, todas as previsões apontam para uma retração econômica em 2015, após as quedas de crescimento em 2013 e 2014. O declínio na arrecadação de tributos não deixa saída que não o ajuste fiscal e a redução de despesas.
Sobre o recolhimento de ICMS, disse que o Paraná, que praticava uma das mais baixas taxas do país, está equalizando as alíquotas para atender a necessidade de ampliar a receita. Da mesma forma, era a única unidade da Federação que ainda não cobrava contribuição previdenciária dos inativos e passará a fazê-lo. O PPI e o PPD, explicou, são programas com o objetivo de permitir que contribuintes em débito com a Fazenda Pública parcelem suas dívidas em até 120 meses e preparam o Estado para a antecipação do fluxo financeiro desses parcelamentos. Estes créditos serão transformados em papéis que serão alienados pelo Governo e negociados no mercado por uma nova empresa, a PR Securitização.
Às perguntas sobre a atratividade desses papéis, afirmou que eles não serão ofertados com deságio, terão seu valor modulado pelo mercado e devem ser disponibilizados em momento oportuno. Observou que operações semelhantes já foram realizadas em outros estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, com bons resultados: “É uma grande oportunidade de anteciparmos investimentos e melhorarmos a infraestrutura do Paraná”, afirmou, acrescentando que o Estado também possui recebíveis referentes a parcelamentos efetuados no passado e outros relativos a incentivos fiscais concedidos a empresas.
Informou que o Governo Richa já transferiu ao Tribunal de Justiça R$ 2 bilhões para o pagamento de precatórios e que, neste ano, irá transferir mais R$ 700 milhões. Sobre as Obrigações de Pequeno Valor, estabelecidas no projeto do Executivo em R$ 12 mil, disse que se trata apenas da atualização do valor anterior, de R$ 5.600,00, definido pela Lei nº 12.601/1999, cuja revogação está sendo proposta. O assunto provocou alguma polêmica e vem sendo negociado pelo líder do Governo, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), com a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná. Em resposta a indagações, o secretário também negou mudanças nas normas que tratam de empréstimos aos municípios.
A CCJ volta a se reunir nesta quarta-feira (8), em sessão extraordinária, às 13h30, na Sala das Comissões da Assembleia Legislativa.
Notícias Relacionadas
Em reunião extraordinária, CCJ aprova criação de Programa Universidade Parceira na Assembleia
Iniciativa cria programa para ampliar acesso de servidores da Assembleia a cursos de graduação e pós-graduação.
Leia maisCCJ inicia análise de recursos contra suspensão de prerrogativas do deputado Renato Freitas (PT)
Parecer do relator manteve a decisão do Conselho de Ética; matérias receberam pedidos de vista e voltam à pauta na próxima reunião do Colegiado.
Leia maisEm reunião extraordinária, CCJ aprova criação de funções na Polícia Penal e fixação do efetivo da PM e do Corpo de Bombeiros
Na sequência, reunião da Comissão de Finanças aprova operações de crédito de até US$ 150 milhões.
Leia maisOperações de crédito de US$ 150 milhões ao Executivo avançam na CCJ, mas recebem pedido de vista na Comissão de Finanças
De acordo com as propostas assinadas pelo Governo do Estado, os créditos serão destinados para investimentos em desenvolvimento econômico e modernização da gestão pública.
Leia mais