Ato público na Assembleia relembra dez anos do movimento “A Copel é nossa”

16/08/2011 14h05 | por Débora Iankilevich
Representantes de mais de 20 federações, sindicatos de trabalhadores e entidades de classe participaram nesta terça-feira (16) do ato público, na Assembleia Legislativa, em comemoração aos dez anos do movimento “A Copel é nossa”, contra a privatização da estatal paranaense de energia. A sessão foi proposta pelo deputado estadual Elton Welter (PT), para discutir também a inclusão dos setores de energia e saneamento na agência reguladora e as parcerias público-privadas que o governo pretende implantar no Estado.
“Há 10 anos, o Fórum Popular contra a venda da Copel reuniu 200 mil assinaturas no primeiro projeto de iniciativa popular do país, para tentar evitar a venda da Copel. Esta sessão homenageia todos os paranaenses que participaram daquela luta e mostra que continuamos vigilantes para evitar qualquer tentativa de venda do patrimônio público dos paranaenses. Continuamos intransigentes na defesa do Estado como indutor de desenvolvimento e na manutenção e valorização das nossas empresas”, disse Welter.
Welter acredita que os movimentos sociais e populares devem ficar atentos, especialmente sobre o projeto de parcerias público privadas. “A mobilização popular garantiu a retirada da Copel da agência reguladora, mas precisamos discutir o modelo das parcerias público-privadas. A bancada do PT vai realizar em 31 de agosto um seminário sobre o tema e queremos contar com a participação de todas as entidades”, afirmou.
Para o coordenador do Fórum contra a venda da Copel, Nelton Friedrich - atual diretor da Itaipu Binacional - o ato público relembra o movimento de cidadania mais importante da história do Paraná. “É extremamente importante reavivar a memória. O movimento coordenado pelo Fórum mostrou que a mobilização popular é um antídoto contra a omissão. Houve um movimento paranista que juntou os mais variados segmentos em torno de uma causa comum e provou que a sociedade, quando mobilizada, com participação, vitalidade, pode exercer sua força. Estava se praticando um crime de lesa Estado e os movimentos sociais se mobilizaram e impediram. O momento exige atenção, para evitar qualquer retrocesso”, disse Nelton.
Segundo o deputado federal Dr. Rosinha (PT), a luta contra a venda da Copel deve ser um exemplo para a mobilização popular contra a inclusão da Copel e Sanepar da agência reguladora de serviços públicos. “Toda luta da sociedade tem que ser comemorada para que não caia no esquecimento O governo estava apostando no esquecimento quando quis incluir os setores de energia e saneamento na agência reguladora. Foi a luta social que manteve a Copel como uma empresa estatal. Ao buscar a memória, trazemos a verdade. É um momento de comemorar, mas também de nos renovar e mobilizar  para que o Estado não seja colocado a serviço de uma elite”, disse o deputado, que há 10 anos participou da histórica votação do projeto de iniciativa popular na Assembleia.
Roberto Osten, que presidia a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 2001, lembrou que o projeto contra a venda da Copel mobilizou toda a sociedade. “Em meio à onda de privatizações que varria o nosso Estado, os movimentos populares reagiram contra a venda do patrimônio dos paranaenses. O governo insistia, mas a sociedade venceu. Essa resistência contra a entrega das empresas públicas está viva”, disse.
Sérgio Gomes, do Sindicato dos Engenheiros do Paraná-Senge, ressaltou a importância histórica do movimento contra a venda da Copel. “Aquele foi o primeiro e único projeto de lei de iniciativa popular no país, derrotado por27 a26 votos”, afirmou
Para o dirigente do Senge, os paranaenses precisam refletir sobre o modelo de gestão proposto pelo governo e a importância da mobilização popular contra a venda das empresas estatais. “Quando o governador Jaime Lerner assumiu, o governo tinha 82% das ações da Copel. Quando deixou o governo, essa participação era de apenas 31,1%. Será que a Copel é mesmo nossa? O que fizemos há 10 anos foi não permitir a finalização da privatização que estava em curso. É preciso manter o fórum vivo para evitar a doação do patrimônio público”. 
Acir Mezzadri, coordenador do Fórum Popular contra o Pedágio, pediu a mobilização dos sindicatos e entidades para evitar qualquer tentativa de privatização ou terceirização dos serviços públicos. “O movimento ‘A Copel é nossa’ foi o mais importante da nossa história. Começou com uns poucos, aqui mesmo no Plenarinho da Assembleia. Mas a sociedade se mobilizou, reagiu. Junto com os estudantes, enfrentamos aqui uma ocupação policial de mais de 1.500 homens. A luta valeu porque impediu a venda da Copel e nos mostra que precisamos estar atentos para defender o que é nosso, do povo paranaense”, disse.
Também participaram do ato público os deputados estaduais Tadeu Veneri, Luciana Rafagnin, Rasca Rodrigues, Ademir Bier e Jonas Guimarães.

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