Cúpula da representatividade feminina no país prestigia criação da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa Deputada Cristina Silvestri (PPS) será a procuradora da Mulher na Alep e vê pela frente um trabalho árduo para fortalecer as políticas públicas na defesa das mulheres.

02/07/2019 17h19 | por Claudia Ribeiro / Eduardo Santana
Instalada a Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa do Paraná.

Instalada a Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa do Paraná.Créditos: Orlando Kissner/Alep

Instalada a Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa do Paraná.

Deputada Cristina Silvestri (PPS) é empossada como procuradora da mulher na Assembleia Legislativa do ParanáCréditos: Orlando Kissner/Alep

Deputada Cristina Silvestri (PPS) é empossada como procuradora da mulher na Assembleia Legislativa do Paraná

Primeira reunião da Procuradoria da Mulher da Alep.Créditos: Orlando Kissner/Alep

Primeira reunião da Procuradoria da Mulher da Alep.

Boa parte da cúpula da representatividade de defesa feminina do país lotou o salão Nobre da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na manhã desta terça-feira (2) para participar da instalação da Procuradoria Especial da Mulher da Casa de Leis e posse da nova procuradora. Com o objetivo de zelar pela defesa dos direitos das mulheres, assim como receber, examinar e encaminhar aos órgãos competentes as denúncias de violência e discriminação contra a mulher, a Procuradoria será comandada pela deputada Cristina Silvestri (PPS) e vai atuar como parceira dos órgãos públicos e entidades da sociedade que já trabalham na causa. “Para mim será um desafio, mas, ao mesmo tempo, é uma honra assumir esse posto, afinal, precisamos fortalecer as políticas públicas na defesa das mulheres para sairmos dessa posição de 5º país com maior número em violência contra a mulher”, afirmou a parlamentar ao assinar o termo de posse.

Os deputados que integram a Mesa Executiva, responsável pela criação da Procuradoria da Mulher no Legislativo o presidente, Ademar Traiano (PSDB), o primeiro secretário, Luiz Claudio Romanelli (PSB) e o segundo secretário, Gilson de Souza (PSC), também participaram da solenidade. Traiano lembrou que a implantação dá continuidade às medidas adotadas para aproximar o Legislativo da população, desta vez, das mulheres. “Queremos valorizar as mulheres paranaenses criando mecanismos para que aquelas que sofrem de qualquer tipo de violência e não têm voz, possam ter mais esse canal com a grande rede de proteção”, disse. 

Na plateia, além das deputados Luciana Rafagnin (PT) e Mabel Canto (PSC) e o deputado Soldado Adriano José (PV) e, em meio a  representantes da Defensoria Pública, Ministério Público do Paraná (MP/PR),  Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR), conselhos municipais e estaduais de defesa da mulher e vereadores, estavam a deputada federal, Leandre Dall Ponte (PV/PR), Nayani Kelly Garcia, coordenadora da Comissão  de Mulheres da Associação Nacional dos membros do  Ministério Público e também diretora do grupo Mulheres Associadas da Associação do Ministério Público do Paraná; Mara Sperandio, assessora de  Políticas para as Mulheres da Secretaria Estadual de Justiça; Tatiane Maccarini e Silvana Farah,  do Departamento das Garantias dos Direitos das Mulheres, Maria Gabriela Prado Mansur, promotora de Justiça no Ministério Público do estado de  São Paulo;  Adriane Domingues, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça; que representou  a secretária nacional de Justiça, e   Sandra Prado,  coordenadora da Casa da Mulher Brasileira  em Curitiba.  Sandra ressaltou que ter a Procuradoria Especial instalada dentro da Assembleia Legislativa fortalece o trabalho feito pela instituição, que possui seis unidades no Brasil, sendo uma na capital paranaense. “Proporciona legitimidade ao processo de promoção dos direitos da mulher nos 399 municípios. Nós da Casa, que temos diversos projetos, vamos trazê-los para a Procuradoria para colocá-los em prática”.

Sonho desde o primeiro mandato - A Procuradoria Especial era um projeto antigo da deputada Cantora Mara Lima (PSC), que preside na Alep a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Em 2010, quando foi eleita pela primeira vez, procurou os dirigentes da Assembleia, mas não obteve êxito, na época. Só a atual Mesa abraçou a ideia da parlamentar. A partir do início dos trabalhos, ela já pretende sugerir a criação de uma página na internet para receber as denúncias. “As mulheres vão ser ouvidas pela Procuradoria e vamos encaminhar essas denúncias, que podem ser anônimas, aos órgãos competentes. Vamos funcionar mais como um órgão de apoio”, disse a parlamentar.  

Leandre Dall Ponte, que já foi procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados, representou a instituição no evento. Em 2019, faz dez anos da criação da Procuradoria em âmbito federal.  Atualmente a deputada integra a Comissão Externa de Combate à Violência e ao Feminicídio no Brasil e faz parte da Comissão Permanente da Mulher na Câmara.  Leandre diz que, apesar de pequena, a bancada feminina em Brasília, formada por 77 deputadas, é bastante atuante no que diz respeito a buscar qualidade de vida às mulheres e a Procuradoria tem sido um canal importante para isso.  “A nossa atuação se dá com mais efetividade justamente por órgãos como a Procuradoria, que tem o papel de promover a participação da mulher na política e de fomentar políticas públicas para a garantia de direitos, preservando os direitos das mulheres já garantidos. É uma luta diária pela condição de igualdade”.

A Procuradoria Especial da Alep deverá atuar nos mesmos moldes da Câmara dos Deputados, do Senado e também de outras Casas Legislativas. Outras atribuições serão fiscalizar os programas de governo, criar campanhas para incentivar a igualdade de gêneros, o empoderamento e as ações de políticas públicas, além de promover audiências com a participação da comunidade para garantir a defesa dos direitos da mulher.  Para a promotora de Justiça de Ministério Público de São Paulo, Maria Gabriela Prado Mansur, “isso demonstra que o poder público, o sistema de Justiça e o Ministério Público estão enfrentando o desafio de proteger a dignidade das mulheres, que esperam por justiça, pela execução das leis e de políticas públicas, para que sejam líderes de suas próprias vidas”.

Índices alarmantes - No Brasil, 12 mulheres são vítimas de feminícídio todos os dias. Uma mulher é morta a cada duas horas no país, simplesmente pela condição de ser mulher.  A maioria por não querer manter os seus relacionamentos afetivos.  Os dados são do Núcleo de Estudos da Violência da USP e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.  Segundo Adriane Domingues, representante da secretária Nacional de Justiça, Maria Hilda Marsiaj, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Secretaria Nacional de Justiça, tem observado que a experiência de sucesso da Procuradoria em nível nacional vem sendo replicada em estados e municípios.  Ela destaca ainda que a Secretaria vem atuando de forma prioritária na pauta das mulheres. “Apesar da baixa representatividade no Congresso e também no Poder Judiciário, onde apesar de serem 35% das servidoras, apenas 17% das mulheres atuam nas cúpulas. A criação da Procuradoria serve de estímulo para que elas alcancem novas posições de poder na sociedade e estamos felizes com o Paraná seguindo esse exemplo”.

Exemplo inclusive para as Câmaras Municipais. Eli do Carmo Teodoro (MDB), presidente da Câmara de Três Barras do Paraná, no Oeste do estado, participou do evento justamente com a intenção de instalar no município mais essa forma de representatividade. “Estou aqui para aprender como vai funcionar e já tenho em mente a proposta de instalar uma Procuradoria na minha cidade”.

Reunião – Logo após a solenidade de lançamento da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, a nova procuradora, deputada Cristina Silvestri, comandou a primeira reunião do grupo de trabalho. O encontro, que aconteceu na sala de reuniões do gabinete da Presidência da Alep, contou com a participação da deputada Cantora Mara Lima (PSC), presidente da Comissão de Defesa dos Diretos da Mulher da Alep, da deputada federal Leandre Dal Ponte (PV-PR), que ocupou a Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados, e de representantes do Ministério Público do Paraná, do Conselho Nacional de Justiça, da OAB-PR, da Casa da Mulher Brasileira, e demais entidades ligadas à causa da mulher.

Durante a primeira reunião, as participantes definiram as primeiras pautas de trabalho da nova Procuradoria, como o combate à violência contra a mulher, a igualdade de gênero dentro do mercado de trabalho e as políticas do Poder Judiciário em prol das mulheres. “Acredito que tenha sido uma reunião histórica. Uma mesa de reuniões só com mulheres debatendo ações e políticas dedicadas exclusivamente para às mulheres. Um encontro que reuniu mulheres mais do que reconhecidas por seus trabalhos em prol dessa luta de todas nós”, concluiu a deputada Cristina Silvestri.

 

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