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Participantes falam sobre a experiência inédita no Parlamento Universitário da Alep

09/11/2017 às 15h17 Por Rodrigo Rossi
Estudante Humberto Pacheco. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Estudante Humberto Pacheco. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep

A experiência do Parlamento Universitário está permitindo um olhar inteiramente novo dos estudantes sobre o funcionamento e sobre as diferentes etapas da produção legislativa na Assembleia do Paraná. A falta de um conhecimento mais aprofundado, reforçada pelo que é repetido de modo superficial e automático por parte da sociedade, sem de fato se informar sobre a rotina do Legislativo, parece estar ficando para trás, assim como cada trecho percorrido pelo acadêmico de Direito do 5º período da Uninter, Humberto Pacheco, no seu ofício diário e na condução da Linha Vila Velha/Buriti, entre às 5h30 e às 11h30, como motorista do transporte público municipal de Curitiba.

Para ele, que convive diariamente com muitas pessoas de diferentes segmentos sociais e formações, é fácil constatar a reprodução de uma ideia comum e equivocada sobre a função dos deputados ou da classe política em geral, nos trajetos feitos pelo ônibus. “Esta é uma possibilidade de agregar conhecimento prático ao conhecimento teórico, o que falta na vivência da sala de aula e sobra na convivência com as pessoas, que falam sobre política quando estou dirigindo. Mas é muito diferente quando estamos aqui, vivendo e aprendendo o funcionamento de fato do Poder Legislativo. É muito diferente daquilo que a gente imagina a distância”.

O estudante revela que, além da oportunidade de observar o modus operandi da Assembleia, participar como deputado/universitário, dando pareceres e discutindo os projetos nas comissões técnicas da Casa, tem sido muito interessante. “Estou na CCJ e na Comissão de Educação. E tenho visto uma vontade muito grande de se apresentarem projetos que venham de fato em benefício da população. E é preciso respeitar a legislação federal e estadual. Não basta apenas vontade política”, alerta.

Oportunidade – Se a pluralidade de opiniões e as vozes das ruas por vezes não retratam fielmente o ofício dos parlamentares, os anos de vida mostram que a função legislativa não deve ficar distante das pessoas. “Tenho 61 anos e sempre tive certa ideia do funcionamento do Legislativo. Mas achava também que era um oba-oba. Vi que não é assim. Aqui há discussão de temas de relevância para a população. Mais do que isso, esta iniciativa é corajosa, porque abre as portas para a comunidade participar. Isso apenas reforça o papel democrático deste Poder”, definiu o empresário do ramo de embalagens Miguel Moysa, cursando o 2º período de Direito da FAE.

“Sou liberal e voto de forma ideológica, e política também é ideologia. Não gosto muito desse negócio de voto fechado com a bancada”, definiu o aluno de Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Sviontek. Ele, que está no último ano do curso e com 26 anos de idade, acredita que somente pela participação política é possível mudar o Brasil. E foi com este espírito que na última eleição municipal disputou o cargo de vereador em Curitiba.

“Vejo que podemos mudar de dentro para fora. Esta experiência na Assembleia Legislativa nos possibilita contribuir de alguma forma, além de permitir que nós, da chamada categoria de base da política, que por vezes também vem do movimento estudantil, possamos ver como a coisa funciona na prática. Infelizmente o jovem está afastado da política”, arrematou.

Estudante Miguel Moysa. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Estudante Miguel Moysa. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Estudante Carlos Sviontek. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Estudante Carlos Sviontek. / Foto: Pedro de Oliveira/Alep