Arte e Cultura resgata acervo do fotógrafo Nego Miranda em site com quase 1.800 imagens
Programa desta sexta-feira (18), da TV Assembleia, traz bastidores da digitalização e restauração do trabalho do fotógrafo paranaense, que retratou Curitiba, o Paraná e a América Latina ao longo de quatro décadas.
Guardadas havia anos em uma caixa, quase 1.800 fotografias em slide do fotógrafo paranaense Nego Miranda corriam risco de se perder para sempre. Danificadas por fungo e pela ação do tempo, as imagens passaram por um cuidadoso processo de conservação, digitalização e restauração de cor, e hoje estão disponíveis gratuitamente na internet, reunindo quatro décadas da história cultural do Paraná e da América Latina. O tema é destaque do programa Arte e Cultura desta sexta-feira (18), da TV Assembleia.
A atração recebe Cahuê Miranda, jornalista e filho do fotógrafo, e João Castelo Branco, responsável pela digitalização e pelo tratamento de imagem do acervo.
Cahuê conta que a urgência de preservar o material vinha da fragilidade física dos slides, que já apresentavam infestação de fungo e perda de cor. "A gente via com muita pena todo esse material tão rico que estava numa caixa e que a gente precisava preservar para que ficasse à disposição de todos", relembra.
Antes de chegar à digitalização, o acervo passou por um minucioso trabalho de limpeza física, slide a slide. Só depois João Castelo Branco assumiu a etapa de recuperar, na imagem digital, as cores que se perderam com o tempo, sem descaracterizar o trabalho original do fotógrafo. "A gente foi atrás de recuperar e preservar o que seria mais próximo das cores originais do material", afirma.
Na entrevista, os dois também revisitam a trajetória de Nego Miranda, que passou da fotografia publicitária ao registro documental de temas como a Ilha do Mel, a erva-mate, as igrejas de madeira do interior paranaense e a paisagem urbana de Curitiba, incluindo o diálogo com a obra literária de Dalton Trevisan. Para Cahuê, o pai enxergava nesse trabalho uma missão pessoal. "Ele tinha essa tarefa de registrar a cultura paranaense, era uma missão dele. Ele era um apaixonado pelo Estado, pela cidade", diz.
João Castelo Branco lembra ainda a sensibilidade do fotógrafo para o uso de cores e para o retrato do cotidiano das pessoas. "Tem uma coisa sobre o retrato do ser humano que é muito forte. Você vai ver muito as fotos de pessoas, pessoas trabalhando, pessoas no seu fazer", observa.
O site reúne as imagens organizadas por local, tema e período, com opção de download para uso educacional, artístico e de pesquisa.
Para conhecer todos os detalhes desse processo de restauração e as histórias por trás das fotografias de Nego Miranda, confira a entrevista na íntegra clicando aqui.
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