Assembleia vai acionar ANTT contra desativação da linha férrea entre Londrina e Ourinhos
Requerimento contra a paralisação das operações da linha férrea de 217 quilômetros entre Londrina e Ourinhos (SP) será apresentado pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD).
O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) disse nesta terça-feira, 16, que vai apresentar requerimento na primeira sessão da Assembleia Legislativa acionando a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) contra a paralisação das operações da linha férrea de 217 quilômetros entre Londrina e Ourinhos (SP). "A concessionária (Rumo) alega que a falta de demanda comercial motivou a decisão, o que é um absurdo e um verdadeiro retrocesso".
A ferrovia São Paulo-Paraná, afirma Romanelli, tem quase um século de história, um canal de transporte de cargas como combustíveis, fertilizantes e grãos dos mais diversos tipos. "A decisão é absurda pois o transporte ferroviário é o segundo modal mais barato do mundo. É viável financeiramente e o menos poluente. Além disso, a paralisação do trem carece de visão estratégica em relação à economia verde, a que mais cresce no mundo", disse.
"Na Assembleia Legislativa não vamos ficar de braços cruzados. Vamos acionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres e tomar outras medidas para reverter a decisão. Foi muito triste poder assistir o povo procopense ver ontem em Cornélio pela última vez o trem passar. Isso faz parte do processo civilizatório da nossa região. Nós não vamos aceitar. A Rumo tem um contrato e ela tem que cumprir", completou.
O ramal entre Londrina e Ourinhos, afirma Romanelli, tem uma participação direta no desenvolvimento do Norte Pioneiro. "Cornélio Procópio desenvolveu-se às margens do km 125 da ferrovia. A estação na cidade foi fundada em 1930. Antes de ser chamado de Cornélio Procópio, a vila era conhecida como KM 125", disse.
Desmonte
O sindicato dos ferroviários afirma que a concessionária vem desativando trechos produtivos de diversas regiões do país, sucateando o modal, promovendo o comércio clandestino de trilhos e o desmonte do patrimônio público. O sindicato ainda acusa a Rumo de agir contra os interesses dos contratos de concessões, de não investir na manutenção e modernização dos trechos assumidos, o que resulta em tarifas elevadas que inviabilizam o transporte ferroviário.
A decisão da concessionária atenta ainda ao Novo PAC - programa de obras do governo federal - em que as ferrovias foram elencadas como prioridade com investimento previsto de R$ 94,2 bilhões até 2026. "Um meio de transporte que sai na frente quando o assunto é sustentabilidade, eficiência e segurança, e ainda carrega consigo o desenvolvimento socioeconômico por onde passa", diz o governo federal que reitera que "o transporte ferroviário no Brasil foi negligenciado por décadas".
No PAC, está a Nova Ferroeste que prevê a modernização da atual conexão entre Cascavel e Guarapuava, ligando Maracaju, no Mato Grosso do Sul, a Paranaguá, com ramais para Foz do Iguaçu e Chapecó, em Santa Catarina. O investimento previsto é de o investimento de R$ 35,8 bilhões para a construção e compra de material rodante para os 1.567 quilômetros de trilhos da ferrovia.
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