Audiência pública na Alep discute o futuro da produção audiovisual no Paraná
Encontro entre produtores, autoridades do setor cultural, professores e estudantes de Cinema foi promovido pela Comissão de Cultura da Assembleia.
Para debater os “Desafios e Perspectivas do Audiovisual Paranaense”, uma audiência pública convocada por iniciativa do deputado Péricles de Mello (PT), presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Paraná, reuniu estudantes e professores da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), produtores, autoridades e personalidades ligadas ao setor cultural no Plenarinho do Legislativo, na manhã desta quarta-feira (12). Com o objetivo de estabelecer uma agenda de tarefas incluindo a sociedade civil, o setor produtivo e o poder público, o evento propôs pautas voltadas não só à promoção da área, mas também ao seu financiamento.
Coube ao presidente da Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (AVEC), Nelson Settanni, elencar uma série de medidas que considera necessárias: a primeira delas é a realização de convênio entre o Paraná e a Agência Nacional de Cinema (Ancine), com minuta do edital sob consulta, procedimento de inscrição e avaliação on-line e bancas anunciadas previamente. Como ações complementares, sugeriu que o Museu de Imagem e do Som conceba politica de mediação e preservação abrangente e seja equipado com digitalizadores de películas e decks para fitas LTO, visando a preservação dos registros domésticos e profissionais; a retomada e reformulação do programa CINETV-PR, reconhecendo a autonomia acadêmica da UNESPAR e propondo o intercâmbio de egressos e profissionais renomados no campus.
Entre outras providências reivindicadas por Settanni estão a atualização do parque prático de cinema em Quatro Barras, na sede do curso de bacharelado, a realização de uma coletânea de filmes paranaenses de todas as épocas, contextualizando e concebendo um material pedagógico para aplicação nas escolas de ensino médio ou fundamental, e a atribuição de um papel estratégico à TV Educativa na difusão do audiovisual paranaense.
Dificuldades – A Coordenadora do Curso de Cinema da UNESPAR, Juslaine Nogueira, destacou que o curso criado em 2005 é pioneiro no país, tendo formado mais de 300 profissionais nos últimos 12 anos. Recebe 60 alunos por ano, 70% dos quais oriundos de outros estados, que vem complementar sua formação e aqui permanecem. Ela reafirmou a importância de o Estado manter o curso e a universidade e a urgência de investimentos públicos nas produções audiovisuais locais.
Relações Públicas da Universidade Federal do Paraná, Angélica Dal´Negro Carvalho expôs as dificuldades enfrentadas pela instituição para manter sua grade de programação audiovisual contando com apenas 31 funcionários para a tarefa. Nesse cenário, a Ancine ofereceu 200 horas de programação que vieram a se constituir em uma importante contribuição para o desenvolvimento da atividade. Ela também destacou a importância do PRODAV, programa mantido pela Ancine para apoiar o desenvolvimento do audiovisual brasileiro.
Ex-aluno da UNESPAR e produtor da Grafo Audiovisual, além de produtor e diretor do festival Olhar de Cinema, Antônio Júnior relatou a trajetória da empresa que já participou de festivais nacionais e internacionais, tendo recebido mais de 150 prêmios. Uma de suas produções, “Para Minha Amada Morta”, dirigida por Aly Muritiba, além de várias premiações, foi exibida em 16 cidades brasileiras e distribuída para outros países, chamando a atenção de investidores e ajudando a consolidar o prestígio dos artistas paranaenses. Isso despertou o interesse da Globo Filmes, por exemplo, que ora financia “Ferrugem”, filme locado em Curitiba, região metropolitana e litoral, trazendo ou mantendo no Paraná recursos importantes. Antônio Júnior manifestou sua confiança no talento e na persistência do Audiovisual feito no estado, lamentando que este ainda não tenha percebido o que ele pode representar em volume de recursos, emprego e renda.
Secretaria da Cultura – O diretor-geral da Secretaria de Estado da Cultura, Jader Alves, respondeu às críticas afirmando que a pasta não ignora o edital da Ancine, apenas não consegue cumpri-lo neste momento, seja em decorrência de obstáculos jurídicos, seja pelas dificuldades econômicas. Explicou que dos R$ 7,5 milhões destinados à área pelo orçamento de 2017, R$ 5 milhões (ou 75%) foram contingenciados pela Secretaria de Estado da Fazenda, restando apenas R$ 2,07 milhões para atender todas as áreas. Desta forma, a pasta busca mecanismos para amenizar a situação, como o PROFIS, um programa de fomento e incentivo à cultura no Estado, que prevê R$ 15 milhões destinados a atender dez áreas diferentes, cabendo R$ 1,5 milhão a cada uma. Como as demandas são diferentes, o que sobra de algumas será remanejado para outras, onde a demanda é maior.
Também se referiu à utilização da Lei Rouanet pelas empresas estatais, que decidiam o destino desses recursos. Hoje a decisão é submetida à Secretaria de Cultura, que criou uma comissão para receber e avaliar os projetos e definir a distribuição do financiamento. Lembrou ainda recente reunião de representantes da Secretaria e do mercado de audiovisual com o secretário da Fazenda para afirmar que “o diálogo continua aberto e queremos encontrar soluções junto com vocês”.
Também participaram do evento o deputado Tadeu Veneri (PT), a consultora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/PR), Walderes de Lourdes Bello; o presidente do Sindicato da Indústria do Audiovisual do Paraná (SIAPAR), Rodrigo Martins; o representante do Movimento Resiste e estudante de Cinema da Unespar, Guilherme Daldin.
Na segunda-feira (17), a convite do deputado Péricles de Mello, Nelson Settanni e Rodrigo Martins voltam à Assembleia e falam aos deputados, no início da sessão plenária, sobre os desafios e perspectivas do audiovisual paranaense.
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