CCJ debate prisão em 2ª instância com a presença do ministro Sérgio Moro
Uma concorrida Audiência Pública promovida pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Assembleia Legislativa do Paraná, debateu na sexta-feira (6) a constitucionalidade da prisão após julgamento em 2.ª instância. Presidido pelo deputado Delegado Francischini, o evento contou com a presença do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Cerca de 500 pessoas participaram do encontro realizado no Teatro Guairinha, em Curitiba.
“É uma satisfação debater um assunto tão importante aqui em Curitiba, que foi o berço da Operação Lava Jato. Nós interligamos a CCJ, tanto do Paraná como de Brasília, trazendo grandes temas de interesse da população. Não só a possibilidade de prisão após 2ª instância, mas também o combate à corrupção e à impunidade”, explicou o Delegado Francischini.
“Quero agradecer por estar aqui ao lado do deputado Delegado Francischini, que conheço de longa data, de vários trabalhos juntos, eu como juiz, ele como delegado. Sempre competente e ativo”, definiu Moro, várias vezes ovacionado pela plateia.
O Ministro classificou como “muito oportuna a discussão sobre a prisão em segunda instância, como forma de não perder o foco ou deixar a discussão estagnada.
O ministro também agradeceu a participação do público e reforçou que “grandes avanços alcançados no país dependeram das manifestações populares de apoio”.
No início de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que réus condenados só poderão ser presos após o trânsito em julgado, isto é, depois de esgotados todos os recursos. A medida também ficou fora do pacote Anticrime apresentado por Moro no início do ano e aprovado essa semana na Câmara dos Deputados.
Uma das alternativas para assegurar a prisão após condenação em 2ª instância está prevista na Posposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso. “Já foi aprovada na CCJ de Brasília e esperamos que seja votada o mais rápido seja com a PEC ou com uma alteração legislativa. E que a pressão das ruas possa ajudar nessas mudanças”, explicou Francischini.
Moro ponderou que a presunção de inocência e a necessidade de provas robustas para a condenação de um indivíduo jamais foram contestadas. “A questão envolve mais a celeridade e a resposta que as vítimas, parentes e sociedades esperam em relação aos crimes”, pontuou.
O deputado Homero Marchese (PROS) definiu Moro um dos brasileiros mais importantes da história e avaliou como “uma vanguarda para as democracias” o Pacote Anticrime apresentado pelo ministro e aprovado essa semana na Câmara.
Também compuseram a mesa o deputado Soldado Fruet (PROS). Ele alertou sobre a possibilidade do fim da prisão em segunda instância beneficiar, principalmente, os condenados por crimes de colarinho branco.
Para o presidente da ACP, Gláucio Geara, o “clamor popular deve ser atendido e respeitado” para a volta da possibilidade de condenação antecipada.
Também compôs a mesa o representante do Instituto Democracia e Liberdade (IDL), Nilson Sguarezi.
Notícias Relacionadas
Operações de crédito de US$ 150 milhões ao Executivo avançam na CCJ, mas recebem pedido de vista na Comissão de Finanças
De acordo com as propostas assinadas pelo Governo do Estado, os créditos serão destinados para investimentos em desenvolvimento econômico e modernização da gestão pública.
Leia maisAudiência Pública debate projeto que propõe reconectar crianças e adolescentes com a natureza no Paraná
Projeto de lei 522/2026, de autoria do deputado Goura (PDT), estabelece diretrizes para a naturalização de equipamentos públicos e busca enfrentar os impactos do excesso de telas e da emergência climática.
Leia maisEm reunião extraordinária, CCJ aprova emendas ao projeto de lei que reestrutura as carreiras da Adapar
Comissão também iniciou análise de propostas do Governo que propõe empréstimos de US$ 150 milhões ao BID para impulsionar a economia e modernizar a gestão pública.
Leia maisAudiência Pública online reúne especialistas para debater saúde trans, combate à LGBTIfobia e políticas inclusivas no Paraná
Iniciativa foi da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia, presidida pelo deputado Professor Lemos (PT).
Leia mais