Deputado Goura (PDT) participa de reunião com representantes das escolas Waldorf
Encontro debateu as dificuldades em processos de regularização das instituições de ensino causadas, em geral, pela falta de conhecimento sobre Pedagogia Waldorf.
Representantes de escolas Waldorf se reuniram com o deputado estadual Goura para falar de algumas dificuldades em processos de regularização das instituições de ensino causadas, em geral, pela falta de conhecimento sobre Pedagogia Waldorf. O encontro também contou com a participação da vereadora de Curitiba, Laís Leão (PDT).
De acordo com os relatos, a falta de compreensão do modelo pedagógico, que tem como princípios a liberdade individual, o ensino livre e o respeito ao tempo de crescer, dificulta a autorização de funcionamento em algumas situações.
Goura observou que a Pedagogia Waldorf é muito diferenciada e, por isso, sugeriu a realização de um seminário para apresentação desse modelo que, apesar de já difundido em todo o Brasil, é pouco conhecido pela maioria da população.
“Acredito que poderíamos inclusive trabalhar para ter a Pedagogia Waldorf na rede pública, e não ser apenas para alguns. Nós, enquanto parlamentares, podemos colaborar para uma aproximação da pedagogia com as secretarias de educação das prefeituras e do governo estadual no sentido de incentivar uma diversidade pedagógica”, afirmou.
O que é a pedagogia Waldorf
A primeira escola Waldorf do Brasil foi criada em 1956 no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Hoje já existem 450 instituições em todo o Brasil, sendo 70% jardins de infância, 19% até o 5º ano do Ensino Fundamental, 6% até o 9º ano do Ensino Fundamental e 5% do Ensino Médio.
De acordo com informações da Federação das Escolas Waldorf do Brasil (FEWB), a pedagogia baseia-se numa visão ampliada e completa do ser humano e do seu desenvolvimento, em que crianças e jovens são considerados em seus aspectos individuais e nas particularidades da faixa etária a que pertencem.
Segundo a FEWB, “a formação de pessoas livres, sensíveis e criativas é feita com base nos valores da fraternidade e responsabilidade, consciência de grupo, alimentação saudável e a relação respeitosa e produtiva com a natureza. Procura-se desenvolver o "pensar" de forma adequada a cada faixa etária, em sintonia com sentimentos equilibrados e fomentando a força de vontade e a determinação, formando assim pessoas com potencial para transformar a sociedade em que vivem.”
Os princípios que regem a Pedagogia Waldorf envolvem a formação de indivíduos em condições de zelar por sua liberdade, prontos a responder por suas decisões, de modo a garantir não apenas o seu bem-estar pessoal, mas sua contribuição ao mundo; a valorização da expressão artística em todas as áreas do conhecimento, e a transmissão do conteúdo de acordo com a fase de desenvolvimento do aluno, de modo que ele possa reconhecer as experiências para as quais está pronto a viver.
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Panorama em Curitiba
Atualmente são 17 escolas Waldorf em Curitiba e uma em Campo Magro. Algumas delas, porém, estão com dificuldades de regulamentação junto a alguns órgãos de fiscalização. Os representantes explicam que, por ser uma pedagogia que utiliza o contato com a natureza e com o fazer manual, esbarram em algumas exigências previstas para as escolas convencionais.
“A nossa busca é sempre pelo diálogo. Queremos ampliar o conhecimento e mostrar o que representa a Pedagogia Waldorf. E feito isso, podemos estabelecer um protocolo específico, não porque a escola é diferente ou mereça mais, mas porque o sistema, a pedagogia é diferente”, afirmou a vereadora de Curitiba Laís Leão, que também participou do encontro.
Participantes
Participaram da reunião com o deputado Goura e com a vereadora Laís Leão representantes das escolas Cordão Dourado, Turmalina, Jardim Pés na Terra, Jardim Arco-Íris, Grão Saber, Cordão Dourado e Magê Mole.
Para a representante do Jardim Arco-Íris, Ariadna Demarchi, a reunião com os parlamentares foi muito positiva. “Acredito que é o início de um novo passo para a Pedagogia Waldorf em Curitiba e região”, afirmou.
Ariadna observou que “é fundamental que órgãos públicos, em especial a Vigilância Sanitária e as secretarias de educação, possam conhecer a Pedagogia Waldorf e, assim, serem mais acessíveis às escolas.”
Rosângela Franco, da escola Turmalina, afirmou que as necessidades que as escolas Waldorfs têm hoje diante das leis que estruturam a pedagogia em geral são questões que vão precisar de muita informação, fundamentação e trabalho, por isso um seminário sobre o tema é importante, na sua avaliação.
“A Pedagogia Waldorf se aplica de uma forma que é contrária ao fluxo. Temos muitas questões que não se adequam hoje, mas que protegem a infância e o processo de aprendizagem respeitando o indivíduo. Não acredito que será fácil o entendimento com os órgãos públicos fiscais, mas se faz necessário”, afirmou Rosângela.
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