Realidade do ensino no Brasil é discutida durante seminário sobre inclusão e políticas públicas na Alep
Palestrantes criticaram modelos educacionais tecnicistas e defenderam alternativas para valorizar as diferenças que marcam os indivíduos.
No segundo e último dia do seminário “Educação Inclusiva e Políticas Públicas”, proposto pelo deputado Gilson de Souza (PSC) e realizado nesta quinta-feira (9) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), especialistas deram continuidade aos debates sobre mecanismos e alternativas para que o ensino seja universalizado com qualidade em nosso país. Os participantes do evento fizeram críticas à visão tecnicista do modelo educacional, que não respeitaria as aptidões e diferenças que caracterizam os indivíduos, comprometendo um aprendizado que, segundo eles, poderia e deveria ser muito mais amplo e efetivo.
“Diversificar a forma de ensino é tratar o mesmo conteúdo de maneira alternativa. Certamente o alcance será muito maior. Evidentemente que sempre há um processo de adaptação deste ensino, que considera uma estrutura escolar inclusiva, de fácil acesso e com um currículo adequado”, afirmou a professora Luzia Lima Rodrigues. Para ela, os alunos precisam conviver com um ambiente diferente, em que pontos de vista divergentes e os mais variados conflitos possam inclusive instigar o próprio repensar do ensino. “Isso amplia o ponto de vista, porque você tem maior participação, maior grau de diversidade. E a consequência é a inclusão, a acessibilidade universal”, disse a palestrante.
Nesta etapa do seminário o enfoque foi dado especialmente para a realidade do ensino, do cotidiano do professor e do aluno, além dos demais profissionais envolvidos na rotina escolar. “A escola tem de estar ao lado da equidade, porque as pessoas são segregadas muitas vezes independentemente da sua capacidade. Há sempre um erro em achar que porque a escola não tem uma pessoa com deficiência, ela não deve tratar de inclusão. Muito pelo contrário”, avaliou o professor português David Rodrigues.
Construção – O professor Ênio Rosa, que ficou cego com pouco mais de 30 anos de idade, fez um relato sobre sua experiência pessoal, notadamente no ambiente educacional. Segundo ele, a inclusão precisa ser efetiva, não apenas pensando-se na situação específica de determinado aluno ou pessoa, mas num processo permanente de construção coletiva. “Precisamos mudar o paradigma, porque ensinamos ‘pessoas’ a andar, e não o seu ‘olho’, não ‘uma perna’. Mas a educação tradicional continua entendendo a cegueira como uma incapacidade. Isso é uma balela”.
Já ao final dos painéis, a mestranda em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Liriane Costa de Oliveira Luz, que trabalha com pessoas com deficiência, discorreu sobre a formação de pessoas para o mercado de trabalho. Ela destacou principalmente que o aprendizado deve ser multidisciplinar e voltado para uma formação continuada. “O desenvolvimento educacional precisa ser para a vida, para o convívio social, para a formação acadêmica e profissional também. A pessoa com deficiência é um sujeito de direitos e deve ser respeitada. Temos que pensar numa formação contínua e integral. Por isso debates como este, envolvendo o poder público, são sempre muito importantes”.
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