Traiano defende a revisão de medida que traz prejuízos aos produtores de leite
A sinalização do presidente Jair Bolsonaro de rever o fim da medida antidumping que impunha taxas ao leite oriundo de outros países não reduziu o nível de alerta da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná). A entidade realizou uma audiência pública nesta sexta-feira (15), que contou com a participação do presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), prefeitos, vereadores, parlamentares, representantes de empresas e entidades ligadas à produção leiteira para reforçar o pedido pela volta da taxa de importação e a adoção de medidas para fortalecer a atividade.
“Essa medida, da qual felizmente parece que o governo vai recuar, embute uma grave ameaça a produção leiteira do país e do Paraná”, disse Traiano. Ele lembrou que essa é uma cadeia produtiva que trabalha com margens estreitas e que, tradicionalmente, está ligada a agricultura familiar e “não pode ser enquadrada dentro de parâmetros dos grandes tópicos econômicos sem que haja uma avaliação adequada”. “O que as prefeituras e as entidades podem fazer, no momento, é pressionar as autoridades para que haja uma revisão nessa medida, que provocará um prejuízo incalculável, especialmente a Região Sudoeste que tem melhor bacia leiteira do nosso estado”, acrescentou.
Medida – O fim da taxação do leite importado foi formalizado na semana passada pelo governo federal. A medida vinha sendo imposta desde 2001 à Nova Zelândia e União Europeia, com taxas de 3,9 a 14% sobre o leite em pó que entrava no Brasil. O temor das lideranças regionais é de que a abertura force os preços do leite para baixo, prejudicando produtores rurais que dependem da atividade. Os dados mais recentes apontam que o Sudoeste produz 1,2 bilhão de litros de leite por ano. Traiano lembrou que “com investimentos estatal e privado, a produção de leite no Paraná foi a que mais aumentou dentre os principais estados produtores”. A produção passou de 2,7 para 4,6 bilhões de litros por ano entre 2006 e 2015, colocando o Paraná na posição de segundo maior produtor do país, atrás de Minas Gerais, e com tendência de continuar em expansão.
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