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TV Assembleia: Semeando Informação debate desafios da silvicultura paranaense

Nova edição traz entrevista com representantes da Apre e da Embrapa sobre o cenário atual e as perspectivas do segmento madeireiro.

17h39
por Pedro Sarolli
4 min de leitura
O Paraná possui cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas, responsáveis por aproximadamente 20% da produção de madeira do Brasil. Foto: Divulgação/Embrapa

A produção florestal do Paraná, um dos pilares do agronegócio estadual, é o tema da mais recente edição do programa Semeando Informação, da TV Assembleia do Paraná, que estreou nesta segunda-feira (3), às 17 horas. O episódio reúne o diretor-executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Ailson Augusto Loper, e o pesquisador da Embrapa Florestas, Edilson Batista de Oliveira, para debater o desempenho do setor, os impactos do tarifaço norte-americano, os desafios logísticos e as perspectivas para uma atividade que responde por uma parcela significativa da economia estadual.

O Paraná possui cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas, responsáveis por aproximadamente 20% da produção de madeira do Brasil. Somente em 2025, a silvicultura movimentou R$ 6,34 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) no estado, consolidando a atividade como uma das mais relevantes do agronegócio paranaense.

Segundo Ailson Augusto Loper, o protagonismo do Paraná é resultado da combinação entre condições climáticas favoráveis, investimentos contínuos em pesquisa e uma vocação histórica para o setor florestal, construída desde os ciclos econômicos da erva-mate e da araucária. Hoje, o estado se destaca pelo cultivo de pinus e eucalipto, sendo uma das poucas regiões do país onde o pinus ocupa área superior à do eucalipto. Loper explicou que a atividade florestal exige planejamento de longo prazo: enquanto culturas agrícolas costumam ter ciclos de poucos meses, algumas florestas destinadas à produção de madeira estrutural ou para serrarias demandam até 28 anos entre o plantio e a colheita. Por conta disso, a complexidade do planejamento é alta. Segundo ele:

"Precisamos administrar um fluxo de caixa considerando juros, oscilações do dólar, custos de produção e ainda projetar quanto a madeira poderá valer daqui a décadas. É um planejamento extremamente complexo. Nossa vantagem é que a floresta não é perecível, podemos manter a madeira em pé, mas os ciclos longos tornam o negócio bastante desafiador."

Tarifaço

Outro tema abordado é o impacto do chamado tarifaço norte-americano sobre o setor florestal brasileiro. Segundo Ailson Loper, desde abril as empresas vêm adotando estratégias para enfrentar o novo cenário comercial. Algumas passaram a desenvolver produtos com maior demanda no mercado dos Estados Unidos; outras diversificaram mercados, direcionando parte da produção para o consumo interno; enquanto empresas que já possuíam operações no exterior intensificaram a industrialização em território norte-americano.

Entre as estratégias para reduzir impactos econômicos, o diretor destaca o avanço do uso da madeira na construção civil. Em diversos países, parte das edificações já utiliza madeira maciça como exigência legal. No Brasil, cresceu principalmente a adoção da madeira engenheirada, como o sistema wood frame.

"Todo o agro atravessa um momento difícil. A floresta permite segurar a madeira em pé por mais tempo, mas isso também afeta toda a cadeia produtiva. É preciso muito jogo de cintura para enfrentar esse cenário", disse o pesquisador da Embrapa Florestas, Edilson Batista de Oliveira.

No entanto, ele ressalta a importância de cuidar da indústria de silvicultura do Paraná, que, segundo ele, é a melhor do Brasil e gera mais de 700 mil empregos diretos e 2,8 milhões de indiretos, além dos benefícios ambientais. "As florestas plantadas reduzem a pressão sobre as matas nativas. Além disso, enquanto crescem, absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas", declarou.

Outros temas

A entrevista também destaca os avanços obtidos por meio do melhoramento genético e da pesquisa. Edilson Batista relembra que, em 1982, técnicos da Embrapa buscaram sementes de eucalipto na Indonésia e na Austrália, dando início a programas que hoje permitem árvores com produtividade até três vezes superior à das originais. O pesquisador ainda apresenta os benefícios dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e cita o uso do eucalipto como fonte energética para a produção de etanol de milho no Brasil, alternativa considerada ambientalmente mais sustentável do que o uso de gás tóxico na produção de etanol nos EUA.

Semeando Informação

O Semeando Informação é o programa voltado ao agronegócio da TV Assembleia do Paraná. Exibido semanalmente, o programa promove debates sobre economia rural, sustentabilidade, inovação, cooperativismo e os principais desafios enfrentados pelo campo, valorizando iniciativas que fortalecem o desenvolvimento do agronegócio paranaense.

 

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