Violência contra a mulher é tema de debate na Alep Curso organizado pela Escola do Legislativo contou com a presença de especialistas e estudantes.

23/08/2019 17h00 | por Nádia Fontana
Painel “Empoderamento Feminino x Violência contra a Mulher” foi mais um evento na Alep em celebração aos 13 anos da Lei Maria da Penha

Painel “Empoderamento Feminino x Violência contra a Mulher” foi mais um evento na Alep em celebração aos 13 anos da Lei Maria da PenhaCréditos: Orlando Kissner/Alep

Painel “Empoderamento Feminino x Violência contra a Mulher” foi mais um evento na Alep em celebração aos 13 anos da Lei Maria da Penha

O empoderamento feminino e a violência praticada contra as mulheres foi tema de um painel de debate realizado na tarde desta sexta-feira (23), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que teve como palestrantes a advogada Sandra Lia Bazzo, co-coordenadora do Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem-Brasil) e vice-presidente da Comissão sobre Estudos de Violência de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR); e o psicólogo Evandro Mocelim de Oliveira, da Associação Beneficente Cajuru (Abec).

“O que é o empoderamento feminino?”, perguntou a advogada Sandra Lia Bazzo, durante sua exposição para uma plateia formada majoritariamente por mulheres. O debate deu sequência aos eventos promovidos pela Casa de Leis para marcar os 13 anos da Lei federal nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, comemorados em agosto. Uma sessão solene, que contou com a da participação da desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PR), Lenice Bodstein, aconteceu no período da manhã (Leia matéria no site).

“O empoderamento é a capacidade de alcançar determinado objetivo apesar da subordinação”, informou. A advogada, que desde 2003 estuda o tema, provocou uma reflexão sobre a história e as condições das mulheres no mundo, falou ainda sobre as metas de igualdade de gênero estabelecidas pela Organização da Nações Unidas (ONU) e os princípios de empoderamento definidos pela instituição. “Precisamos refletir sobre as origens de como se fundamenta a nossa sociedade”, observou. Ela, que observou que a violência contra as mulheres ocorre em todo o mundo, trouxe ainda para a discussão a seguinte frase: “Nós que acreditamos na liberdade não podemos descansar até que ela seja alcançada” (Ella Baker, apud Angela Davis).

Visível e invisível – O psicólogo Evandro Mocelin disse que costuma afirmar ser “uma pessoa assustada” quando se trata do assunto. “Nem sempre me importei com o tema”, confessou. Durante sua exposição chamou a atenção para os tipos de violência presentes na sociedade e que atingem, de forma visível ou invisível, as mulheres: “Temos a violência de gênero, psicológica, física, financeira, intrafamiliar, institucional, doméstica e sexual”. “Tudo o que vocês imaginam de violência é praticado contra as mulheres”, opinou.

Mocelin mostrou ainda casos reais, noticiados pela mídia, e citou pesquisas que revelam que cerca de 50% da população tem noção dessa trágica realidade, que faz 536 vítimas de agressões físicas no Brasil a cada hora. E alertou: “não são casos isolados, acontecem diariamente”. “A mensagem que quero deixar é que o que temos de dados (visíveis e invisíveis) dizem que devemos ficar mais atentos aos nossos filhos, buscando mudar essa realidade”, complementou.

Atitudes – A ex-deputada federal Rosane Ferreira, que também foi deputada estadual, lembrou de sua participação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra a Mulher concluída no Congresso Nacional em 2013, e que “deu os primeiros passos para configurar o que hoje é a lei do feminicídio”, frisou. Ela entende que o mais importante em relação à violência contra a mulher é evitar que ela aconteça. Por isso, na avaliação dela, é fundamental uma reflexão em relação aos pequenos gestos e atitudes para começarmos a modificar essa realidade.

“O empoderamento feminino só se dá pela coletividade. Enquanto uma mulher estiver sofrendo ninguém é livre”, declarou Telma Mello, ativista e militante do movimento mulheres negras de Curitiba. Telma lembrou o que estudos e pesquisa mostram: as mulheres negras sofrem muito mais preconceitos do que as mulheres brancas. Na avaliação do pastor Francisco José Cordeiro Neto, diretor da Associação Beneficente Educacional Cajuru (Abec), quem participou do curso deve se tornar um multiplicador, contribuindo para criar uma sociedade melhor. “Acredito em construir um mundo melhor para que a justiça aconteça para todos”. O pastor contou que associação, que atua em Curitiba, tem o objetivo de dar apoio às famílias. Por isso, a Abec realiza workshop de psicologia sobre violência doméstica com o objetivo de alertar a sociedade sobre os tipos de violência e dar o atendimento adequado às vítimas.

O acadêmico Neyton Izonel Svarcz, de Direito, destacou a importância do debate para sua formação profissional e pessoal. “Essa reflexão é importante para entender o que fazemos no dia a dia, na convivência na família e com os amigos”. A busca de conhecimento também motivou a auxiliar de enfermagem e professora Aparecida Carvalho Faria de Oliveira a participar do curso no período de férias do trabalho. Ela contou que nasceu e cresceu num lar violento, onde somente seus dez irmãos homens puderam estudar. “Eu, única filha, só fui estudar depois de adulta e repeti essa situação de violência na família que constitui”, lamentou. Hoje ela sempre participa de eventos relacionados ao tema como forma de aperfeiçoar sua formação e poder ajudar aos outros. Elizabete (que pediu para não ser identificada pelo nome completo) sublinhou a necessidade de se ampliar o debate e as políticas públicas. Ela contou que está com medida protetiva e decidiu cursar a faculdade de Direito em busca da oportunidade de ter uma participação mais efetiva na luta contra o feminicídio. “Só quem sofre com essa realidade pode ter noção da urgência de uma mudança na nossa sociedade”, declarou.

Escola do Legislativo – A advogada Francis Fontoura, coordenadora administrativa da Escola do Legislativo da Alep, afirmou que o debate é uma oportunidade para estimular a conscientização sobre uma realidade que diz respeito à toda a sociedade e agradeceu a participação de todos.  “Essa discussão ganha força com a presença de vocês”, acrescentou Roberta Picussa, coordenadora pedagógica da Escola. “Esse tema não pode mais ser silenciado. Tem que ser debatido e espero que vocês sejam multiplicadores”, complementou.

O curso foi promovido por proposição do presidente da Alep, deputado Ademar Traiano (PSDB), e organizado pela Escola do Legislativo, em parceria com a Procuradoria Especial da Mulher da Alep e da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

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