Deputada solicita à Secretaria de Saúde capacitação para o diagnóstico de lipedema
Como resultado da Audiência Pública "Lipedema, entendendo a doenças, seus sintomas e tratamentos" a deputada cantora Mara Lima (Republicanos) apresentou pedido de informação à Secretaria de Estado da Saúde (SESA) sobre o diagnóstico e tratamento do Lipedema "em decorrência da necessidade vital de capacitar os médicos da rede pública e privada sobre essa nova doença".
"Infelizmente, muitos pacientes acometidos dessa doença não recebem o diagnóstico correto, isso é fruto do desconhecimento da enfermidade pelos profissionais de saúde. Por isso, faz-se necessário uma intervenção da Secretária de Saúde na qualificação destes profissionais para melhor atender os anseios e necessidades da população", informa o documento.
A audiência pública aconteceu na última terça-feira (20) no Auditório Legislativo Deputado Rubens Recalcatti, por proposição das deputadas Cantora Mara Lima (Republicanos), Maria Victoria (PP), Márcia Huçulak (PSD) e do deputado Tercílio Turini (MDB) com a participação de especialistas que debateram os sintomas e tratamentos do lipedema, doença caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas ou nos braços, ocorrendo predominantemente nas mulheres.
Segundo dados do Instituto Lipedema Brasil, 10% das mulheres no mundo são afetadas pela doença, com mais de 10 milhões de brasileiras possivelmente desconhecendo sua condição. A doença afeta prioritariamente mulheres (90% dos casos) e pode causar dor, desconforto e ter um impacto significativo na qualidade de vida.
A proponente da audiência pública e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Assembleia, deputada Cantora Mara Lima, destacou a importância de tratar desse assunto. “O lipedema é uma doença ainda desconhecida para muita gente. Acham às vezes, que é obesidade e fazem vários tratamentos até chegar à conclusão que é o lipedema, uma inflamação dos órgãos inferiores. É uma doença que incomoda, que tira a autoestima da mulher, além de gerar muitas dores. Dores que acabam interferindo na vida dessa mulher em seu dia-a-dia, no seu trabalho. Eu sou portadora do lipedema. É claro que faço um controle muito grande desde que descobri”.
“Alguns profissionais ainda não se inteiraram e as pessoas procuram atendimento e não conseguem um diagnóstico”, completou a deputada.
A médica Débora Froehner, que auxiliou na redação da Lei que cria o Junho Roxo, mês de conscientização e prevenção da lipedema (Lei 22.036/2024), explica que o lipedema é uma doença mal compreendida e subdiagnosticada, causando sofrimentos físicos e emocionais. “Eu atendo pacientes de lipedema há mais de 10 anos e sei o quanto elas sofrem. O lipedema foi, durante muito tempo, confundido com um acometimento vascular e como uma consequência, uma distrofia de gordura de outra doença. Ainda temos poucos estudos sobre o Lipedema acontecendo no mundo, mas com estes poucos estudos já se conseguiu ver que é uma gordura diferente, com células inflamatórias diferentes”.
Lipedema no SUS e planos de saúde
A Assembleia Legislativa, através dos deputados proponentes, enviou requerimento ao Ministério da Saúde solicitando a criação de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o tratamento do lipedema, incluindo o tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). Em resposta aos deputados estaduais, o Ministério da Saúde informou que é o CID 10 - E65 (adiposidade localizada) que corresponde ao lipedema, todavia, a doença se caracteriza como adiposidade inflamatória. “O protocolo precisa ser aperfeiçoado e divulgado, já que a doença é pouco conhecida até mesmo entre os médicos. Por isso a importância da audiência pública”, explicou a deputada Mara Lima.
Junho Roxo
Mundialmente o mês de junho já é destinado ao tema e o roxo é a cor que identifica a doença, uma vez que na maioria das vezes, dentre outros sintomas, causa manchas roxas nos membros inferiores. A instituição do mês no calendário oficial de eventos no Paraná também busca a disseminação de informações e dados sobre lipedema, a criação de políticas públicas voltadas para as pessoas acometidas pela doença, pesquisa e o estudo para o avanço do conhecimento sobre a doença, com desenvolvimento de protocolos unificados de diagnóstico e de tratamento, além da capacitação e a qualificação multidisciplinar dos profissionais, entre outras ações.
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