Prevenção e cuidados são as principais armas dos homens no combate a doenças Especialistas afirmaram em audiência pública que abriu as atividades do Agosto Azul que observações básicas são fundamentais para diagnosticar precocemente doenças graves como o câncer de próstata.

02/08/2021 12h46 | por Trajano Budola
Audiência pública marcou o lançamento da campanha Agosto Azul 2021.

Audiência pública marcou o lançamento da campanha Agosto Azul 2021.Créditos: Thais Faccio

Audiência pública marcou o lançamento da campanha Agosto Azul 2021.

Audiência pública marcou o lançamento da campanha Agosto Azul 2021.Créditos: Thais Faccio

Audiência pública marcou o lançamento da campanha Agosto Azul 2021.

Na manhã desta segunda-feira (2) a Assembleia Legislativa do Paraná promoveu a audiência pública Agosto Azul 2021, uma Atitude pela Vida para marcar o início da campanha que é lei estadual (17.099/2012) e incentiva e promove ações de conscientização da saúde do homem. O evento reuniu, de forma remota, especialistas que alertaram: a prevenção e os cuidados pessoais ainda são as formas mais fáceis e importantes para evitar doenças graves como o câncer de próstata e o de pulmão.

O deputado Michele Caputo (PSDB) presidiu a audiência pública em substituição à deputada Mara Lima (PSC), autora do projeto de lei que instituiu no Paraná o Agosto Azul, em 2012. De acordo com o parlamentar, o mês de conscientização orienta o Estado na adoção de políticas públicas específicas à população masculina.

“Desde então, as instituições comprometidas têm feito uma série de programações, com fóruns e debates sobre o câncer de próstata, contra a violência e questões de melhoria de vida. É uma campanha que busca reforçar esta política”, explicou Michele Caputo. De acordo com ele, mesmo com todos os esforços, ainda é comum os homens procurarem menos as unidades de saúde para exames da saúde sexual e reprodutiva.

“Isso define muito claramente a necessidade do Agosto Azul no Paraná. A cultura do homem forte que não adoece criou uma expectativa de vida muito menor”, explicou o parlamentar.

A afirmação foi reforçada com a palestra do cirurgião geral e urologista, Marcelo Bigarella. “A expectativa de vida das mulheres é quase oito anos maior que a dos homens no Brasil. Isto não tem explicação biológica e genética, é algo muito peculiar”, disse. De acordo com ele, a saúde do homem não se resume ao câncer de próstata, o mais frequente, só perdendo para o câncer de pele e melanoma, mas o mais característico, assim como o de mama para as mulheres. “O câncer de próstata não é a principal causa de mortalidade, o que mais mata nos dois sexos é o de pulmão”, explicou.

Marcelo Bigarella esclareceu que o mais importante no atendimento de saúde é a prevenção de doenças, por isso, é fundamental que haja investimentos em saneamento básico e ações de esclarecimento dos cuidados com o manuseio de alimentos, regras de prevenção de acidentes e doenças e a promoção da saúde.

“Eventos esportivos, por exemplo, são estratégias de promoção de saúde, assim como campanhas de vacinação. Precisamos incentivar hábitos saudáveis. É preciso fazer os exames preventivos e diagnosticar as doenças precocemente para tratar adequadamente cada um deles. A reabilitação também é importante, como a fisioterapia e acompanhamento psicológico”, listou o médico.

Ele falou ainda das atividades físicas, alimentação saudável e moderação do uso de álcool. “Precisamos de estratégias de prevenção ao uso abusivo. Uma das principais causas de morte dos homens até 35 anos é de acidentes de carro, e o álcool está envolvido em 61% dos casos. Quem fuma tem mais chances de desenvolver câncer, uma escolha individual que gera problemas muito graves. A ciência aponta o cigarro como algo extremamente nocivo”, alertou.

Segundo o urologista, exames de rotina são indispensáveis acima dos 30 anos, como endoscopias ou saúde bucal. “É preciso criar uma rede de apoio e também gerenciar o stress, com hobbies, distrações e conversas. Também é fundamental não postergar tratamentos de doenças que apareçam”, disse, ressaltando as particularidades da saúde do homem, como as doenças de próstata, doenças relacionadas à vida sexual, planejamento familiar, acesso à saúde e a conformação com os sintomas.

“O câncer de próstata é o crescimento fora de controle de células cancerosas que tomam outros tecidos. A maioria dos casos não tem sintomas na fase inicial. Os exames de rotina são importantes por isso, para detecção precoce. Com o diagnóstico precoce a chance de cura é de 95%. Um em cada dez homens terá câncer de próstata. Os fatores de risco são a idade, o histórico de família e é mais agressivo entre homens negros. Sedentarismo, abuso de gorduras e estresse podem aumentar as chances de incidência”, afirmou o especialista.

Ainda de acordo com o Marcelo Bigarella, o exame de toque deve ser incentivado. “18% dos casos são detectados precocemente pelo exame de toque aliado ao de PCA. Não existe outro exame de diagnóstico precoce. Homens com antecedentes familiares devem procurar urologistas a partir dos 50 anos, com fatores genéticos aos 45 anos e homens com gene compatível para câncer devem procurar a partir dos 40 anos”, explicou. 

Instituto Lado a Lado - Para Fernanda de Carvalho, diretora de relações institucionais e internacionais do Instituto Lado a Lado pela Vida, instituído em 2008 e criador da campanha nacionalmente em 2011 e reconhecido como o maior movimento no Brasil para chamar a atenção não só dos pacientes, mas da sociedade civil, parlamentares e gestores do setor público e privado. “Não falamos só de câncer de próstata e não só de câncer, mas de todas as necessidades do homem e temos feito uma série de avanços neste sentido”.

Ela falou do câncer de pênis, que ocorre com mais frequência nas regiões Norte e Nordeste e pode ser prevenido com a higiene íntima e vacinas de HPV. “Por conta da falta de cuidado, ainda registramos 1.600 amputações por ano. O câncer de pulmão ainda mata muito, por isso temos a campanha Respire Agosto. Cerca de 80% dos atingidos são tabagistas, mas os outros 20% nos preocupam”, listou.

A diretora falou do câncer de bexiga e doenças crônicas do sistema vascular e retal. “O instituto atua em todo território nacional. Precisamos levar estas informações principalmente para os locais de difícil acesso, em áreas remotas das cidades e nas regiões rurais. Durante a pandemia tivemos milhares de diagnósticos não detectados, interrupções de tratamentos e crescimento de doenças mentais e suicídios”, explicou.

“Tudo que o Instituto faz é baseado em pesquisa de inteligência de dados. A ação da deputada Mara Lima intensificou a abrangência da campanha. Quanto antes trabalharmos com adolescentes e crianças, melhor. As meninas iniciam a busca pela saúde com as mães, mais cedo, indo ao ginecologista a partir dos 12 anos. Os meninos não têm estes hábitos estimulados. Quanto mais as mães e pais estimularem, melhor”, alertou Fernanda Carvalho. 

INCA - De acordo com Renata Oliveira Maciel dos Santos, tecnologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a instituição formula políticas públicas e recomendações nacionais que subsidiam ações em todo território nacional. “O câncer de próstata é o mais frequente seguido de cólon e reto, o câncer de pulmão tem evoluído muito, apesar de terem diminuído os fatores principais como o tabagismo. A taxa de incidência e morte são grandes e tem prognóstico pior. O câncer de cavidade oral também é muito frequente há alguns anos e está crescendo em incidência”.

Segundo ela, o câncer de pulmão desde 2010 ainda é o mais incidente, seguido pelo câncer de próstata. “O câncer de estômago também pode ser diminuído pelos cuidados com a conservação de alimentos. Por isso os fatores socioeconômicos influenciam na prevenção. A próstata é uma glândula negligenciada por medo e vergonha dos homens que não pedem orientações sobre sua saúde urinária e sexual, isto é causado pelo estigma que ainda permeia este tema”, explicou.

Segundo a tecnologista, para alcançar a redução da mortalidade toda a rede de atenção à saúde deve estar conectada e funcionando de forma que as pessoas encontrem tudo que precisam. Para ela, o principal gargalo é a confirmação diagnóstica correta que possibilita o início do tratamento em hospitais adequados. “As ações devem estar em uma rede sistematizada para dar acesso a todo tratamento, desde atenção primária, diagnóstico e tratamento”, disse.

Ela explicou que os principais sintomas do câncer de próstata são a dificuldade ao urinar, demoras e diminuição do fluxo urinário e necessidade de urinar mais vezes, além de, em etapa avançada, sangue na urina. Explicou ainda que o exame de toque retal é necessário, fundamental e o melhor aliado ao exame de sangue. “Identificada a suspeita faz-se a biópsia que pode confirmar a doença”, frisou.

Renata Oliveira falou também que o câncer de boca, lábio ou de cavidade oral, cresce pelo uso de tabaco e de álcool. Segundo ela, associados os dois, o risco é ainda maior. O HPV também é fator de risco, tanto para as meninas quanto para os meninos. A vacina, segundo ela, previne as infecções pelo HPV tipo 16 que causa o câncer de boca. A tecnologista explicou que a exposição ao sol também aumenta o risco de câncer de lábio.

Ainda de acordo com ela, o câncer de pulmão tem o tabagismo como causador de 85% dos casos no Brasil. “A prevenção é importante nas idades mais jovens, seja pelo uso dos narguilés ou do cigarro eletrônico e do cigarro comum”, explicou”. Outras substâncias como amianto, sílica e metais podem causar câncer de pulmão”, listou.

Renata falou também do câncer de colo retal, que cresce com rapidez e atinge camadas da população acima de 50 anos, com a maior parte até os 74 anos. “A alimentação é a principal causa, os sintomas são os pólipos intestinais e causam sangramentos no colo que são observados nas fezes mais escuras, com perda inexplicável de peso, dor e desconforto abdominal frequente”, explicou.

Durante todo o mês de agosto, em razão da campanha, a fachada da Assembleia Legislativa do Paraná estará iluminada com a cor azul.

 

 

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