Instabilidade da energia elétrica no campo é debatida em audiência pública Encontro foi promovido pelos deputados Anibelli Neto (MDB) e Arilson Chiorato (PT). Produtores rurais reclamaram de quedas da luz e dificuldade no atendimento da Copel.

10/11/2021 17h40 | por Trajano Budola
Audiência pública debateu a instabilidade elétrica no campo.

Audiência pública debateu a instabilidade elétrica no campo.Créditos: Thais Faccio/Alep

Audiência pública debateu a instabilidade elétrica no campo.

Para discutir com produtores os relatos de constantes interrupções no fornecimento de eletricidade nas propriedades rurais do interior do estado, a Assembleia Legislativa do Paraná promoveu, na tarde desta quarta-feira (10), a audiência pública “Quedas de Energia”, proposta pelos deputados Anibelli Neto (MDB) e Arilson Chiorato (PT).

Foram ouvidos avicultores e fumicultores da agricultura familiar e presidentes de associações rurais ligadas à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), além de membros do Governo do Estado, em especial da Copel. Segundo Anibelli Neto, as demandas dos produtores são pelo alívio dos prejuízos causados pela instabilidade da rede de energia.

“Estamos vivendo um final de pandemia e cremos que uma energia forte dará impulso à retomada das atividades econômicas”, afirmou Anibelli Neto, presidente da Comissão de Agricultura do Legislativo, destacando que o tema já foi abordado em audiência pública em 2015. De acordo com ele, existe a cobrança constante por um cadastro na Copel para atendimento prioritário dos produtores.

Para Arilson Chiorato, em algumas regiões, há denuncias de que com a terceirização dos serviços de manutenção da Copel, a prestação do serviço ficou ainda mais difícil. “A Copel tem uma função social como empresa de caráter público. Ela precisa de um setor só para a agricultura e para a energia fotovoltaica. É o mínimo que a empresa, que é patrimônio público paranaense, deve fazer”, cobrou.

O superintendente de gestão empresarial da distribuição da Copel, Emerson Luiz Barbosa Pedroso, falou das ações da empresa para amenizar os prejuízos dos produtores. Segundo ele, o tempo em média em que cada consumidor fica sem energia por área teve queda nos últimos anos. “Projetamos este ano metade do que tínhamos em 2015. Investimentos de R$ 221 milhões em manutenção do sistema. Este ano vamos ultrapassar os R$ 1,28 bilhões investidos”, disse.

Ele falou de três projetos em andamento que atendem a área rural: o Paraná Trifásico, com 128 mil propriedades atendidas; a Rede Elétrica Inteligente que atinge 1,5 milhões de clientes com automação total do sistema; e o Confiabilidade Total, de modernização das redes e infraestrutura. Emerson falou ainda de eventos climáticos que trouxeram problemas extraordinários aos agricultores, como ciclone bomba e uma grande tempestade no último dia 23 de outubro. “Os cinco piores eventos aconteceram nos últimos 18 meses. Vemos a severidade das mudanças climáticas”, afirmou.

De acordo com o secretário de estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o Paraná tem uma agricultura de ponta com grande crescimento na produção e uma rede que não acompanhou a mudança dos tempos. “A Copel está recuperando um tempo que, infelizmente, foi perdido”, marcou.

Demanda

As dificuldades relatadas pelos produtores foram principalmente nos longos períodos para reestabelecimento da rede após tempestades, porém alguns pecuaristas reclamam que o sistema é instável mesmo em dias de tempo bom. As dificuldades na comunicação com a Copel e a falta de informações sobre a quem procurar para reaver os valores gastos para cobrir prejuízos também foram apontadas.

Para Diener Gonçalves Santana, presidente Sindicato Rural de Cianorte, a terceirização da mão de obra nos serviços deixou a manutenção à mingua. “O fornecimento tem tido falhas graves, o que impacta demais. Os geradores têm sido mais que emergenciais e, sim, usados como estepes. As podas também estão tendo defasagens. Precisamos ter clareza dos investimentos que não consideramos suficientes. Temos relatos de produtores que ficaram até 100 horas sem energia”, disse.

Segundo Claudinei de Carli, presidente da Sociedade Rural de Astorga os consumidores pagam caro pelos investimentos da Copel. “Tivemos um aumento de quase 1000% na tarifa de energia nos últimos anos. Tanto na tarifa rural, quanto na luz noturna. Existe ainda a queima constante de equipamentos. O preço de toda a cadeia de insumos, inclusive a energia elétrica, está levando o lucro por água abaixo”, afirmou.

Já Herlon Goelzer de Almeida, do Instituto de Desenvolvimento Rural (ITR), falou de um projeto de geração de energia a partir de biomassa. “A Copel junto com Centro Internacional de Energias Renováveis e Itaipu tem, em São Miguel do Iguaçu, uma rede autônoma de energia a partir de biogás e podemos ter micro redes em todo Paraná”, exemplificou.

Altacir Peres Rissato, avicultor Paranavaí, explicou que a avicultura demanda 100% de tempo com energia ligada. “Um frango não fica mais de 30 minutos sem ventilação adequada. Quando há interrupções corremos o risco de perder todo o plantel. Questionei a Copel e me foi dito que devo procurar meus direitos na Justiça. Não é isso que queremos, queremos atenção com trabalho preventivo. Podemos melhorar em manutenção adequada no meio rural”, cobrou.

Luiz Carlos Flamengo, avicultor em Pananacity, relatou que colegas já passaram 24 horas sem energia e, em alguns casos, esta demora chegou a 96 horas com energia tocada por gerador. A mesma dificuldade foi abordada por Leandro José Lançoni, avicultor de Mandaguaçu.

A avicultora de Itabagé, Vanessa Brondani, reclamou da instabilidade na rede. “Próximo a minha propriedade há uma derivação de distribuição de energia e sempre cai fusível e cai a luz. Já fiquei 14 horas sem energia e não havia equipe da Copel de plantão para a religação. Em 2017 tive prejuízo de dez mil aves”.

“Estamos sem segurança da Copel. Em 100% de nossa granja a tensão de energia é muito alta. Nosso gerador funciona por períodos curtos, não por dias seguidos. Quem paga o prejuízo? Sempre os produtores?”, questionou a pequena produtora rural da agricultura familiar.

Os deputados vão seguir acompanhando o tema, junto aos produtores e aos órgãos governamentais. Anibelli Neto disse que daqui seis meses uma nova audiência deverá ser realizada para verificar as mudanças ocorridas.

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