Assembleia debate efeitos das novas tecnologias na educação e na saúde física e mental dos usuários
Especialistas reconhecem as tecnologias como importantes ferramentas para o aprendizado, mas alertam para o declínio das relações interpessoais.
Os efeitos das novas tecnologias no processo educacional e na saúde física e mental das pessoas foram discutidos na manhã desta terça-feira (7) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná. Por proposição do presidente da Comissão de Educação, deputado Hussein Bakri (PSD), com a participação dos deputados Guto Silva (PSD) e Maria Victoria (PP), especialistas abordaram diferentes aspectos sobre o tema, mas foram unânimes em afirmar que os relacionamentos interpessoais estão cada vez mais diminuindo. Representantes das Secretarias de Estado da Educação e da Secretaria de Estado da Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), também participaram das discussões.
Segundo os profissionais, embora a tecnologia seja fundamental e um grande instrumento de aprendizado, também a cultura do individualismo vem sendo intensificada com o uso das novas ferramentas. “Vivemos uma distração permanente, as pessoas estão desligadas daquilo que as cerca. O problema não está na tecnologia, mas no distanciamento entre as pessoas. Este problema não é de hoje. É preciso buscar um equilíbrio entre o uso da tecnologia e os relacionamentos, porque o ser humano é relacional, não vive sozinho”, disse o médico ginecologista e obstetra José Jacir Leal Júnior.
Fazendo um paralelo da experiência no acompanhamento profissional com usuários de drogas, que passam por sérios problemas de dependência, da abstinência e dos seus reflexos psíquicos e sociais, a biomédica Roseli Boernger Lacerda falou sobre o chamado transtorno pelo uso excessivo da internet. “Chamamos de transtorno de jogos da internet, mas não nos referimos somente a isso, aos jogos. Porque o uso pode ser também constante de redes sociais. Enfim, falamos de uso incontrolado e imoderado da internet, o que pode levar a resultados negativos no dia a dia, no trabalho, na produtividade escolar, no relacionamento com outras pessoas, no isolamento”.
A falta de diálogo e de um relacionamento familiar mais participativo têm sido algumas das constatações clínicas mais comuns da psicóloga e terapeuta Vera Carvalho. “De cinco casos que chegam à clínica, posso dizer que três deles são relacionados à interferência excessiva da tecnologia. As famílias estão enfrentando essas situações, porque embora a gente não possa negar a importância de um mundo cada vez mais conectado, está havendo falta de diálogo e de interação entre as pessoas”.
Próximos passos – O deputado Hussein Bakri ressaltou a importância da audiência pública e disse que a partir de agora, outras discussões sobre o assunto serão pautadas no Legislativo. A deputada Maria Victoria deve coordenar um grupo de trabalho com especialistas para ampliar a difusão da informação nas escolas do Paraná. “Temos que levar este assunto e esta preocupação aos estudantes, aos jovens e também aos pais. A população precisa de melhor orientação sobre o uso das tecnologias”, afirmou.
Ficou agendada para a próxima terça-feira (14), às 10 horas, no Plenarinho da Assembleia, novamente com a participação do médico José Jacir Leal Júnior, uma apresentação de alternativas e estratégias a serem desenvolvidas pelo grupo, que deverá nortear o trabalho de mobilização pelo estado. Existe ainda a possibilidade de elaboração de cartilhas informativas sobre o tema, com o envolvimento dos 32 Núcleos Regionais de Educação para campanhas mais efetivas e permanentes de orientação nos colégios.
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