Veto parcial que estende a moratória do fracking também à pesquisa passa na CCJ
Veto é uma recomendação da Secretaria da Agricultura, para que não prossigam pesquisas sobre uma atividade que é reconhecidamente poluente.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizou a primeira reunião ordinária deste ano na tarde desta terça-feira (7) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Um dos quatro vetos constantes da pauta visa na verdade reforçar uma lei já sancionada pelo governador Beto Richa e publicada no Diário Oficial do Estado em 23 de dezembro do ano passado. A iniciativa – projeto de lei nº 873/2015 – é dos deputados Schiavinato (PP), Rasca Rodrigues (PV), Fernando Scanavaca (PDT), Marcio Nunes (PSD), Marcio Pacheco (PPL), Guto Silva (PSD) e Cristina Silvestri (PPS), e estabelece uma moratória de dez anos para licenciamento de exploração de gás de xisto no Paraná pelo método fracking – o fraturamento hidráulico.
O veto parcial do Poder Executivo, discutido na CCJ com a relatoria de Pedro Lupion (DEM), se refere a uma posição já externada pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) de que o método é prejudicial às águas e ao solo e que por isso, segundo justificativa do órgão, “não se recomenda concordar com a pesquisa sobre uma atividade que, sabidamente, é portadora de alto potencial de poluição de nosso ar, nosso solo e nossa água podendo futuramente colocar em risco o sucesso da atividade agropecuária, a mais importante para a economia do estado e para a saúde do seu povo”.
De acordo com o presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Alep, deputado Rasca Rodrigues (PV), o veto oferecido pelo Executivo torna ainda mais sólida a posição do Paraná contrária à modalidade, com uma garantia de que a fiscalização sobre a atividade será rigorosa. “Eu acho muito positivo porque demonstra claramente que o Governo do Estado tem uma posição contra o fracking. O veto impede também a pesquisa”, afirma. “A gente comemora o fato de o governador ter atendido aos apelos de Organizações Não Governamentais (ONG) em relação ao tema e espera que a lei seja integralmente cumprida”, explica o deputado. De acordo com ele, com o impedimento recomendado pelo Governo do Estado às pesquisas, durante o período de moratória, quaisquer testes de empresas ligadas à atividade serão consideradas ilegais e sujeitas a penalidades.
José Carlos Schiavinato (PP) também comemorou a sanção do projeto que institui a moratória no Paraná. “Trabalhamos muito, por mais de um ano, em cima desta questão. Pela próxima década não se fala mais na possibilidade de explorar o gás de xisto pelo método no Paraná. O objetivo é dar segurança ambiental e jogar esta discussão para o futuro, se é que vai acontecer no estado daqui a dez anos. No momento nós não queremos a alteração da nossa economia que é baseada no agronegócio”, explicou.
Notícias Relacionadas
Operações de crédito de US$ 150 milhões ao Executivo avançam na CCJ, mas recebem pedido de vista na Comissão de Finanças
De acordo com as propostas assinadas pelo Governo do Estado, os créditos serão destinados para investimentos em desenvolvimento econômico e modernização da gestão pública.
Leia maisEm reunião extraordinária, CCJ aprova emendas ao projeto de lei que reestrutura as carreiras da Adapar
Comissão também iniciou análise de propostas do Governo que propõe empréstimos de US$ 150 milhões ao BID para impulsionar a economia e modernizar a gestão pública.
Leia maisCCJ recomenda manutenção da perda de mandato do deputado Renato Freitas (PT), mas pedido de vista adia decisão
Parecer do relator conclui pela regularidade do rito no Conselho de Ética e que processo poderá ser levado ao Plenário; matéria recebeu pedido de vista e volta à pauta na próxima reunião do Colegiado.
Leia maisCCJ aprova novo Decreto de Calamidade Pública para Rio Bonito do Iguaçu
Segundo a justificativa do projeto, estudos atualizados apontam que os danos humanos, materiais e ambientais, bem como os prejuízos econômicos e sociais, ainda não foram totalmente superados.
Leia mais