Coragem e força marcam a história dos homenageados na Assembleia Mesmo treinados para enfrentar situações trágicas, os momentos vivenciados no meio de toneladas de lama revelam a difícil e triste realidade dessa missão.

28/03/2019 11h20 | por Thiago Alonso
Capitão Daniel Lorenzetto: era só lama e vazio.

Capitão Daniel Lorenzetto: era só lama e vazio. Créditos: Kleyton Presidente/Alep

Capitão Daniel Lorenzetto: era só lama e vazio.

A grandiosidade de uma tragédia marca até mesmo homens experientes, preparados, calejados em enfrentar desastres. Não foi diferente com os bombeiros e policiais paranaenses que participaram das operações de resgate das vítimas de Brumadinho, em Minas Gerais, e homenageados na noite desta quarta-feira (27) em sessão especial realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

“Era só lama e vazio”. A frase seca é do Capitão Daniel Lorenzetto, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), e um dos primeiros paranaenses a chegar a Brumadinho. A tragédia que causou mais de 200 mortes e deixou 90 pessoas desaparecidas aconteceu numa sexta-feira. No domingo, acompanhado de mais dois homens, Lorenzetto chegava em Minas Gerais.

Veio a primeira missão. “O que mais me marcou foi o primeiro contato com a lama. Havia trechos de mais de 15 metros de lama. Não tinha nada, só lama. Essa dimensão grandiosa me tocou”, recorda. “O helicóptero deixou nosso grupo em uma área e começamos a cavar. Era um odor cadavérico. Cavamos por quatro horas naquele dia”.

Mesmo treinado para isso, a quantidade de corpos desenterrados naqueles 30 dias de missão impressionou o Capitão Lorenzetto. “Foram mais de 30 corpos entre os retirados e localizados por nossa equipe”, conta. A realidade da tragédia também se impôs ao soldado Maykell Sandri de Andrade, um dos mais últimos a ingressar na corporação. Esta foi sua primeira missão destas proporções.

O Soldado Sandri chegou a Brumadinho três semanas depois do ocorrido. “Eu tentava imaginar o que poderia encontrar lá, mas quando pisei na lama, quando pude sentir o cheiro, quando senti a temperatura, tive a ideia de como a realidade é muito mais chocante”, relembra. “As imagens que via antes não dão a dimensão do que era. Tudo tinha cor de lama. As árvores, os carros. Parecia que estávamos em chegando em outro planeta; em um cenário de guerra. Ao mesmo eu queria estar lá, queria fazer a diferença para as pessoas atingidas”. 

Aprendizado – A geóloga Fabiana Acordes também esteve em Brumadinho. Ela é voluntária do Centro de Apoio Científico em Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e trabalha com análises científicas das áreas atingidas por tragédias. Foi assim nas enchentes em Santa Catarina ou nos desabamentos em Teresópolis, onde também esteve. Mesmo com todo o clima fúnebre em Brumadinho, uma coisa chamou atenção dela. “Fui impactada em como todos tinham alguma pessoa envolvida na tragédia e como as pessoas se ajudavam”, conta.

A generosidade dos moradores e ao mesmo tempo vítimas também marcou o Capitão Lorenzetto. “Havia o reconhecimento do nosso trabalho pela comunidade. Recebíamos cartas de crianças, as pessoas se ofereciam para cortar os cabelos dos voluntários. Recebíamos mensagens de apoio nos vidros dos carros cobertos de lama”, diz.

Este carinho também ficou na memória do Soldado Sandri. “Todos os dias recebíamos palavras simples e sinceras. Um dia, veio uma carta de uma menina de 14 anos. Dizia: ‘Bombeiro, acha meu pai’. Isso marca nosso trabalho”, comenta. “Em Brumadinho aprendi uma coisa. Precisamos valorizar nosso tempo, nossa vida. De uma hora para outra, uma tragédia nos tira tudo”, encerra o Capitão Lorenzetto.

*Leia reportagem sobre a homenagem aqui no site.

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