Comissão de Educação propõe grupo de trabalho para orientar pais e alunos contra o aliciamento na internet
Debate deve ser levado aos diferentes núcleos regionais de educação, amplificando orientações a professores, pais e alunos de toda rede estadual.
A criação de um amplo grupo de trabalho que promova ações de informação e conscientização sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes no uso da internet foi o resultado da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (9) no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), promovida pela Comissão de Educação, presidida pelo deputado Hussein Bakri (PSD).
O objetivo era debater a tecnologia, a dignidade humana e o papel das redes sociais na vida dos estudantes. A partir de agora, a Comissão, em conjunto com a Secretaria de Estado da Educação, do Ministério Público estadual, da Defensoria Pública, das polícias civil e militar, além de outros órgãos estaduais, pretende levar a discussão aos núcleos regionais de educação e amplificar as orientações aos pais e alunos da rede estadual de ensino.
Durante a audiência pública, o delegado Demétrius Gonzaga de Oliveira, do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), falou sobre a fragilidade e os perigos a que muitos jovens estão expostos nas redes sociais. Segundo ele, é preciso que a família esteja atenta ao uso ilimitado das tecnologias. “Falta conscientização daqueles que deveriam estar atentos às nossas crianças. O crime virtual não é novo. Hoje enfrentamos o problema com o jogo ‘Baleia Azul’, mas amanhã será outro tipo de violência pela rede. O acesso prematuro às tecnologias deve ser um motivo de atenção dos pais, porque os adolescentes são facilmente influenciados”, alertou o delegado.
Situações de perigo – Desde a criação do Nuciber, em 2005, cerca de cem mil ocorrências já foram registradas no Paraná. Além de crimes contra a honra, estelionato, extorsão, bullying, há ainda casos de sequestro, além de homicídios e estupros que tiveram origem na internet.
“De todos os casos que investigamos, constatamos que 35% deles envolvem crianças e adolescentes. Por ano são quase dez mil casos que atendemos. Os jovens são curiosos e acabam envolvidos em situações extremante perigosas. Volto a frisar, os pais precisam acompanhar o uso da internet, conversar francamente com os seus filhos sobre esta realidade”.
Sugestões – Além de Hussein Bakri, os deputados Guto Silva (PSD), Evandro Júnior (PSDB) e o delegado Rubens Recalcatti (PSD) também participaram da audiência. Entre as sugestões apresentadas pelos parlamentares, destaque para a apresentação de emendas orçamentárias para o próximo ano que contemplem a destinação de recursos e melhorias na estrutura do Nuciber, além da criação de ferramentas tecnológicas pela Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), que auxiliem no controle e na identificação de ilícitos cibernéticos.
A professora e pesquisadora Andréia de Jesus, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), também apresentou uma experiência bem-sucedida feita pela instituição com alunos da 6ª a 9ª séries, e que envolve práticas de construção do saber através dos computadores e do acesso à internet, com programas e aplicativos de raciocínio lógico, além de palestras aos pais e alunos sobre inclusão digital responsável.
Representantes da Polícia Militar, da Defensoria Pública, da Celepar, da Secretaria de Estado da Educação e da UFPR, estiveram presentes na reunião. Esta foi a segunda audiência pública desde a edição do Decreto nº 4.394/2016, que regulamentou a Lei nº 18.572, de 2015, instituindo o 15 de maio como o “Dia de Tecnologia e Dignidade Humana”, com o propósito de mobilizar a sociedade para a prevenção da erotização infantil e o aliciamento de crianças e adolescentes na internet.
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